2017 punk Resenhas Rock

Dasher – Sodium (2017)

Comprei pela capa o punk brutal e espetacular do Dasher

Por Lucas Scaliza

É verdade que não se deve julgar um livro pela capa, uma metáfora para não julgarmos as pessoas pela aparência. Embora as editoras de boa literatura se esforcem para fazer capas sofisticadas ou transadas atualmente, as editoras de obras mais ou menos também se esforçam para ganhar leitores com a qualidade de design e produção gráfica. Com a música ocorre a mesma coisa. Eu não conhecia a banda Dasher até ouvir Sodium e, entre todas as apostas que podia fazer confesso que o escolhi pela capa do disco.

E não me arrependo!

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Imagina um punk hardcore (nada de pop punk bonitinho aqui), com vocais rasgados, guitarra noiser e que às vezes quase pende para o shoegaze, mas que, sobretudo, é uma banda cheia de energia. Lembra um pouco a ansiedade do Titus Andronicus e quem sabe o lado mais estressante do Car Seat Headrest, mas tem tempero próprio. O álbum é cáustico mesmo e agrada quem curte um rock que te acerta como uma dividida numa manhã de domingo.

As faixas vão se sucedendo sem que você perceba o fluir desse rio de águas revoltas que é Sodium. Ao chegar à faixa-título você tem um encontro dos vocais em coro, com um baixo distorcido em primeiro plano e uma guitarra que parece entrar pelas entranhas da mixagem. A fúria encontra a beleza e você só quer pegar uma cadeira e estourá-la na parede. Sim, um álbum que evoca sentimentos do ouvinte.

Apenas quatro faixas estão acima dos três minutos de duração, por isso a audição é tão direta e fluida. Mas as faixas curtas não são preguiçosas. O quarteto cria arranjos interessantes para cada uma e mostram, como é raro de se ver, um aproveitamento incrível da equação tempo/criatividade.

Algumas faixas, como “Eye See”  e “Slugg”, são mais arrastadas, mas outras como “Go Rambo”, “Soviet”, “Get So Low” . Em “Trespass”, você crê que a cantora e baterista Kylee Kimbrough deve ter saído da gravação com calos nas cordas vocais. E “No Guilt” é uma das coisas mais deliciosamente caóticas que ouvi este ano, uma mistura de Rage Against The Machine com Raimundos, sim senhor! (E claro que as referências da banda passam também pelo Black Flag).

Depois de passar por Atlanta, na Georgia, o grupo agora está baseado em Bloomington, Indiana, após assinar com o selo Jagjaguwar. A história é como e muitas outras do meio: saíram de cidade pequena, causaram na cidade grande, tiveram que encarar empregos em que se sentiam infelizes, e agora, com o álbum nas mãos e uma dose de coragem, tentam fazer uma carreira na música. A líder da banda, por exemplo, já precisou fazer acompanhamento psicológico e até morou por um tempo na área de serviço do apartamento de uns amigos. Após viver tantas situações barra-pesada, nada mais justo do que devolver toda essa raiva, angústia e insatisfação na forma do rock mais intenso possível.

Acredito que a imagem de capa de Sodium, o primeiro álbum completo do Dasher, representa bem o que você vai encontrar em seus 32 minutos. Sonzeira bem feita, bem gravada, com poucos recursos e cheio de energia e atitude. Um punk virulento desses, bicho, é motivação de sobra para seus dias na Terra.

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