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Apanhador Só – Meio Que Tudo É Um (2017)

Este texto é um misto de crítica do álbum e complemento do podcast episódio 42. Não deixe de conferir!

Por Eder Albergoni

Eu já tinha ouvido o disco novo algumas vezes, e todas elas com a cabeça vazia, sem pensar em nada, sem tentar achar explicação e formular teorias, só me divertindo com as músicas do Apanhador Só. Isso até aparecer o tweet do Lucas Scaliza dizendo que também tinha ouvido o disco algumas vezes, mas que teria que ouvir outras tantas pra entender o que os caras estavam querendo dizer. Foi automático meu impulso de fazer o mesmo. E dessa vez, com a cabeça ocupada em resolver o problema do Lucas, comecei a enxergar que Meio Que Tudo É Um se assemelha a Everything Now do Arcade Fire.

Óbvio que não musicalmente, mas minha viagem foi perceber que os caras do Apanhador Só estavam dizendo a mesma coisa que os canadenses. Porém os canadenses contam a história como um narrador que vê a coisas de fora, como se estivesse, sei lá, na Lua. Enquanto Kumpinski e seus cupinchas contam com os olhos de quem vê as coisas de dentro da tempestade. Condizente, visto que os músicos passaram os últimos anos em turnê fazendo shows na sala da casa das pessoas. Não é um disco político – a gente tem batido um bocado nessa tecla por conta de alguns lançamentos aí -, mas muito menos é apolítico.

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Os caras andam com Thiago e Ian Ramil e mais uma panelinha de gente com postura crítica enervada. Ian mesmo fez disco recente cheio de porrada e dedo em riste. Lembrem-se sempre do clã Ramil. O que ajuda a amarrar essa minha pensata é a faixa “Isabel Chove”. Nela Felipe Zancanaro, depois de toda crônica, canta: “Vocês veem o que eu tô vendo?”. Contrariando a própria arte do disco, isso me parece uma pergunta com menos indagação e mais surpresa, o tipo de pergunta que leva além do sinal de interrogação o sinal de exclamação.

No final, a banda está um patamar acima de outras tantas ótimas bandas. Entre elas, Carne Doce, Ventre, Baleia, Oito Mãos, até Far From Alaska. Alexandre, além de um grande compositor, tem se tornando cada vez mais um cantor/ intérprete melhor, basta ouvir com cuidado “RJ Banco Imobiliário” e perceber como ele soa irônico quando canta trechos de algumas letras que a gente já conhece de antes, ou ouvir ainda “O Creme e o Crime” e o jeito como ele soa sarcástico – e sincero quando a faixa muda pra “Viralatice dos Prédios”. Da mesma forma, Felipe e Fernão também evoluem em melhores compositores e músicos. O Apanhador Só tá um passo além do entendimento unilateral. O que me dá razão é a outra dimensão por onde anda “Paso Hacia Atrás”, com participação das meninas Perotá Changó, e o outro tempo em que “Linda, Louca e Livre” toca.

Acho sim que tem muito Caetano e muito Humberto Gessinger. Isso é o Apanhador Só tornando o caos tendência. Presente, passado e futuro se misturando num movimento estranho, mas natural pra caramba. O axé/ pagode de “Teia”, por exemplo, é o universo contraindo e expandindo, até chegar ao ponto que o buraco na parede na casa da Dona Lusa, – menção importantíssima e muito bem sacada no podcast -, não incomoda mais ninguém.

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