2017 Indie Pop punk Resenhas Rock

The Cribs – 24-7 Rock Star Shit (2017)

O combustível nunca acaba para esse trio

Por Lucas Scaliza

Você não precisa deste texto para saber que 24-7 Rock Star Shit é um ótimo disco. O trio inglês The Cribs tem um aproveitamento na carreira melhor que o do Corinthians no Brasileirão de 2017: são sete álbuns até agora e os sete valem a pena. Pode ser até que dois ou três desses fiquem na média, mas nenhum é fraco. Se este novo trabalho não supera o incrível For All My Sisters (2015), fica quase no mesmo patamar.

Está claro que o combustível de Gary, Ryan e Ross Jarman é inesgotável. Músicas para cima, cheias de guitarras carregadas de overdrive e uma espontaneidade muito grande de toda a banda, criando arranjos que nem sempre são simples, mas parecem criados no calor do momento, e não calculados numa sala a parte do estúdio. Sempre será possível dizer que a banda varia muito pouco de álbum para álbum – o que é verdade – mas o garage rock nervoso deles é sempre tão empolgante que ouvir 24-7 Rock Star Shit é como ligar seu corpo na tomada.

the_cribs_2017

O trabalho de melodias e de arranjos de guitarra foi o que mais me chamou a atenção no álbum anterior, uma tendência que a banda ainda mantém viva em músicas como “In Your Palace” e “Partisan”. Mas percebo que o maior foco desta vez está nos timbres mais corrosivos da guitarra, dando até um aspecto mais Pixies ao instrumental, como já fica bem claro em “Give Good Time”. Apesar de uma ou outra mudança no andamento, o álbum é, como esperado, bastante direto ao ponto.

O aspecto de rock mais sujinho dessa vez é ressaltado pelo vocal quase descuidado de Gary Jarman. Ele não é um baita cantor, mas está ruim de ser longe ou de não cumprir o que pede a estética do Cribs. Mas em quase todas as faixas sua voz parece pendurada, quase como se nossos ouvidos ficassem esperando a hora em que ele vai desafinar de vez. Há um charme especial nisso, principalmente se você já sacou que essa não é uma banda em que as coisas precisam estar perfeitas. Vê-los numa corda bamba é parte da graça e eles caminham por ela lindamente.

Aliás, é com os violões de “Sticks Not Twigs” e com os teclados e programações eletrônicas de “Dead At The Wheel” que os Cribs provam que podem ser bem perfeitinhos se assim quiserem. Ainda que não repita todo o peso emocional de For All My Sisters, 24-7 Rock Star Shit é um álbum quente. Às vezes, é quase como pisar em carvão em brasa. E serem abrasivos é o que os Cribs fazem de melhor desde 2004.

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