2017 Eletronica Resenhas Rock Trilha Sonora

Mogwai – Every Counthy’s Sun (2017)

Escoceses encontram meio termo entre o rock visceral e as paisagens sonoras

Por Lucas Scaliza

Nos últimos anos, o grupo escocês Mogwai, um dos maiores e melhores representantes do post-rock instrumental, tomou um caminho mais reflexivo. Sua música era mais como trilha sonora, ou era de fato trilha sonora de alguma série de TV (como a francesa The Revenants) ou de algum filme. Mais climática, menos guitarreira, e que só de ser tocada já plantava na cabeça dos ouvintes algum complemento visual. O último disco “de ataque” do grupo foi o ótimo Hardcore Will Never Die, But You Will (2011).

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Every Country’s Sun tenta resgatar a música que a banda fazia sem deixar de soar cinematográfica. “Coolverine” é um incrível trabalho de camadas sonoras que flui por seus tímpanos sem causar estardalhaço. “Brain Sweeties” também opera mais na criação de uma textura espacial, do tipo que parece preencher um ambiente ou cena. Porém, tem uma bateria muito presente que serve também para afastar um pouco a impressão de música de trilha. Interessante notar como os timbres de bateria, baixo e guitarras soam saturados. Já “Party In The Dark” vem com aquela cara de single comercial, mais regular e até conta com vocais, mas muito mais “na sua cara” do que a primeira. “Crossing The Road Material” segue a mesma lógica, mas sem os vocais, apostando mesmo nas várias camadas de guitarras melódicas. “aka 47” é totalmente soundtrack e imaginativa, explorando os mistérios da noite e terminando com um movimento de guitarra que mais parece o último uivo de um cão.

Every Country’s Sun segue assim, alternando entre faixas mais guitarreiras e outras mais preocupadas com a criação da paisagem sonora, mas nunca recuperando plenamente a visceralidade e direção de álbuns como Rock Action (2001) ou The Hawk Is Howling (2008). Dave Fridmann, que produziu o disco de 2001, voltou a trabalhar com o grupo e talvez ele tenha sido definitivo para fazer os instrumentos de corda e percussão soarem tão saturados, como se sobrasse distorção ou ruído. A gravação e a masterização foram feitas no lendário Abbey Road.

Dominic Aitchison, Stuart Braithwaite, Martin Bulloch e Barry Burns não precisam se decidir entre uma abordagem e outra. Diferente de Rave Tapes (2014), em que o DNA do Mogwai era usado para uma sonoridade bastante nova, a banda mostra que consegue transitar entre um e outro com graça. O disco não é uma volta que vai satisfazer totalmente quem queria um novo trabalho roqueiro. Para essa parte do público, talvez existam faixas demais com uma pegada mais introspectiva, mesmo que os crescendos quase sempre levem as faixas para espectros mais dinâmicos e potentes (como em “Don’t Believe The Fife”). A faixa-título mesmo é como estar deitado olhando para o céu estrelado sentindo um terremoto chegar, mexendo com sua percepção.

Mas se ainda assim você quer um novo épico da guitarra post-rock, como “Sine Wave”, ou “Glasgow Mega-Snake”, “I Love You I’m Going To Blow Up Your School” ou ainda uma faixa tão densa como “Rano Pano”, pode se surpreender com “Bettered at a Scramble” e “Old Poisons”, lá no fim do álbum. De resto, resta entregar-se à atmosfera que os escoceses criaram para te envolver. Não é o melhor disco do grupo, mas é o trabalho recente que melhor representa o que o Mogwai já foi e como tem evoluído.

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1 comentário em “Mogwai – Every Counthy’s Sun (2017)

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