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Queens Of The Stone Age – Villains (2017)

QOTSA volta a priorizar a diversão e não faz apenas música dançante e torta

Por Lucas Scaliza

Dois momentos muitos distintos formaram (e reformaram) minha visão sobre o Queens Of The Stone Age. Primeiro, quando conheci a banda, durante o Rock In Rio 3, de 2001. Baixista pelado no palco e Josh Homme declarando que apesar do nome da banda, se consideravam a primeira banda de rock com som genuinamente do século 21. Fiquei em choque com a pretensão do vocalista, mas de fato não era um som que me descia bem. Algum tempo depois, na casa de amigos que tinham MTV (falei sobre como o canal não pegava em casa e formas alternativas de consumir música no podcast episódio 32) vi o clipe de “Go With The Flow” e fiquei embascacado com a proposta estética e com o som do grupo. Lembrei das palavras de Josh Homme e achei que ele falava sério. O stoner da banda tinha algo do stoner que eu conhecia – e conheço até hoje – mas não é a mesma coisa, definitivamente. Quando ouvi Era Vulgaris (2007), para mim o disco mais difícil do grupo, achei que tinha entendido a banda.

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O QOTSA é uma banda que fez diversos discos divertidos, mesmo que a utilização dos instrumentos, sobretudo das guitarras, fosse um tantinho insano perto de outras experiências mais quadradas. Acho sim o primeiro disco deles (de 1998) bem consistente, mas se libertaram muito mais em Rated R (2000), Songs For The Deaf (2002), Lullabies To Paralyze (2005), formando uma quadra de discos tão boa quanto os quatro primeiros do Black Sabbath, por exemplo. Ainda hoje me pego ouvindo material desses discos (e de Era Vulgaris) e pensando como investiram em ideias diferentes em termos de rock.

Quando a dançante “The Way You Used To Do” foi lançada, inaugurando Villains, vi diversos fãs assustados com a pegada mais animada e ritmo para requebrar vestindo jaqueta de couro, muitos se perguntando onde estaria aquele tom mais sóbrio que predominava em …Like Clockwork (2013). Percebi então como há fãs novos da banda, criados pelo intervalo entre EV e …LC. Villains talvez não devesse causar tanto espanto, já que a diversão sempre predominou no core do QOTSA – mas eu entendo quem ama o clima sério e apocalíptico de …LC, pois é um álbum grandioso, melhor que Villains, afinal.

O caso é que Villains mantém a consistência e o charme da banda, retomando em uma época sombria um pouco da despretensiosidade de outrora. “Feet Don’t Fail Me Now” é uma das faixas mais instigantes que a banda já gravou, com uma ótima divisão rítmica de guitarras e riffs, entrevendo que a dança aqui do disco deriva ainda um pouco do kautrock que pareceu inspirar a banda em 2007. O primeiro single de fato soa melhor no contexto do disco e, depois de um tempo, você nem liga mais para as palmas na mix acompanhando seus passos. Mas caso você não se renda a alguns passos de twist (do século 21), pode se deixar levar pelo rockabilly de “Head Like a Haunted House”.

No meio do caminho, percebe que mais importante que as guitarras de Homme, Dean Fertita e Troy Van Leeuwen é o baixo de Michael Shuman. São diversos os momentos em que se pega curtindo as loucuras das seis cordas distorcidas, mas é no embalo do baixo que seu corpo pulsa e sente a harmonia. Talvez seja importante destacar que Mark Ronson – um cara que entende da trinca música-banda-e-balanço-dos-quadris – que já trabalhou com Amy Winehouse e Bruno Mars – está na produção do álbum.

Com apenas nove músicas, Villains não dá espaço para o erro ou repetição de ideias. “Domesticated Animals” é arrastada e centrada nos seus riffs, enquanto “Fortress” flui com naturalidade. “Un-Reborn Again” parece uma faixa comum do QOTSA, mas com as teclas de Fertita à frente, ao invés de guitarras, mas “Hideaway” parece fazer a mesma coisa com ainda mais graça – e em menos tempo. Os riffs de “The Evil Has Landed” faz o Queens Of The Stone Age soar Led Zeppelin como nunca – e se ainda não reparou nos baixos deste disco, repare nesta faixa pelo menos! E o final mais grave com “Villains Of Circumstance” é um dos únicos vislumbres que temos do tom de …Like Clockwork.

Nem tudo precisa ser político para ser bom, relevante e importante. Mas após as críticas do álbum anterior e do atentado terrorista em Paris durante o show do Eagles Of Death Metal, era irresistível pensar que os vilões do título seriam uma referência ou metáfora à política dos EUA e do mundo. Segundo Homme, não é. Mesmo assim, Villains é um álbum muito bom e com charme próprio. Não supera a maioria dos trabalhos que a banda já apresentou no passado, mas se mantém em um patamar de respeito, flexibilizando seu som mais um pouco e nem por isso deixando de soar torta ou século 21.

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2 comentários em “Queens Of The Stone Age – Villains (2017)

  1. Pingback: Scalene – Magnetite (2017) – Escuta Essa!

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