2017 Eletronica Pop Resenhas

Fifth Harmony – Fifth Harmony (2017)

Novo disco deixa a sensação de uma punheta sem o dedão

Por Eder Albergoni

O que o pop produz hoje é, em resumo, sons sintéticos, vozes moduladas, imagem e discurso que na prática são falhos e, em grande quantidade, repetição pasteurizada. O público-alvo se identifica com a melhor aparência e consome. E aí as estrelas da Disney crescem, e aí adquirem personalidades conflitantes, e aí desmancham uma camada fina de sucesso e comodismo que precisa ser refeita. E aí haja moldura na reserva do pop.

Esse pop radiofônico, especialmente segmentado em bandas e artistas criados em reality shows, produz também uma ligeira efemeridade que traz junto a certeza da mudança e conflitos de continuidade. Nesse caso, se converte todo santo momento numa exploração exagerada de aparências. Mas não quer dizer que esse tipo de procedimento crie somente situações ruins. Essas bandas e artistas acompanham naturalmente uma evolução de carreira, baseada na exposição e características pessoais.

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Afinal, o pop é uma linguagem universal com fácil absorção e fonte praticamente infinita. A música pode até se manter, mas a coerência da indústria não é condizente e torna todo o produto tranquilamente dispensável. Você pode até apelar para o número de fãs espalhados por aí, mas no fim não se sustenta sozinha. Pelo menos não sem se adaptar. Certamente há uma pressão por vendas e cliques, e por histórias que alimentem o monstro. Também é um pouco exagerado dizer que a indústria é cruel e esmagadora.

Esse é um contexto muito particular – e o girl group Fifth Harmony preenche quase todos os quesitos. O novo disco, primeiro com formação reduzida depois da saída tumultuada da Camila Cabello, serve para testar esse modelo pop. A começar pela relação direta do “percalço” e o resultado final. O impacto da voz a menos é latente e indisfarçável. Mesmo que tecnicamente as meninas façam sempre o melhor possível, nenhuma interpretação é memorável.

Apesar das integrantes assinarem várias composições, algo que poderia pesar a favor na balança, o que chama atenção é o número elevado de produtores. São 10. Apostando em performances parecidas às de discos anteriores, ainda que seja coeso musicalmente, o disco derrapa na falta de novidade e, pior, na falta de momentos realmente envolventes.

Tirando os singles “Down” e “He Like That”, todas as outras canções são peças bastante genéricas e complementos muito fracos se comparadas com o que se ouviu em 7/27 (2016). Nada lembra nem de longe músicas como “Squeeze” ou “Dope”. Menos ainda um sucesso como “Worth It” que a cada 10 minutos interrompia a playlist que a gente ouvia no Spotify só pra dizer que podia se intrometer ali porque era a mais clicada na plataforma.

O disco deixa a sensação de uma punheta sem o dedão. Algo que poderia ser bem melhor, mas se contenta em ser só o que parece ser. Ou seja, o exibicionismo de Fifth Harmony, que até consola, só serve pra agradar os próprios envolvidos. No fundo, é como se esse disco só existisse pra cumprir o contrato com a gravadora. Ou pra não perder o bonde da tendência e, num eventual fracasso, garantir o plano B. Se bem que não faz a menor diferença pra quem sempre sai ganhando. Não sei vocês, mas eu agora fico aguardando o disco solo da Camila.

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