2017 Indie Pop Resenhas Rock

Wolf Alice – Visions Of A Life (2017)

Quarteto inglês fica mais ousado e mostra que é a cara da geração, indo do rock estelar ao power pop

Por Lucas Scaliza

Antes mesmo de lançar o primeiro disco, cheio de boas músicas e que rendiam shows repletos de atitude, o Wolf Alice mostrava que era a cara da juventude: antes de a banda engrenar e sair tocando pelo mundo, eram pessoas normais, com empregos convencionais, mas sonhando com outra vida de emoções. Honrando a tradição do rock da classe operária, nunca foram engomadinhos ou uma banda de bons moços e boa moça. Seus clipes ressaltavam a imagem de jovens comuns da Inglaterra, mas abertos ao mundo de hoje. Isso também significa dizer que embora a banda tivesse muito de rock, esse estilo não era a única coisa que fazia a cabeça deles. Visions Of A Life é a prova disso.

O segundo álbum mostra o Wolf Alice muito menos básico e com um poder de fogo (equipamentos, possibilidades estéticas, recursos de estúdio) bem maior do que o mostrado em My Love Is Cool (2015). E a inclusão de teclados, sintetizadores e mais camadas de instrumentos não atrapalha em nada a dinâmica da banda como um quarteto de instrumentistas. E se as linhas vocais de Ellie Roswelll, uma das melhores frontwoman que o Reino Unido revelou nos últimos três anos, eram bem diretas, dessa vez ela se beneficia de overdubs mais sofisticados, que acabam dando uma nova dinâmica às canções (como ela vai resolver isso ao vivo – como em “Sky Musings” – é outra história).

Wolf_Alice_2017_DIY-Magazine-by-Phil-Smithies
Foto: Phil Smithies/DIY Magazine

O passeio por vários estilos é grande. Tem o shoegaze de “Heavenward”, o punk de “Yuk Foo” e “Space & Time”, o pop-debanda-com-pé-no-rock estilo No Doubt de “Beautifully Inconventional” e o indie atmosférico do excelente single “Don’t Delete The Kisses”. Caso não tenha ficado claro até aqui como a banda voltou apostando em belas melodias, “Planet Hunter” talvez seja o momento de dar o braço a torcer, mas fique firme com seus fones, pois melodia é o que não falta em Visions Of A Life. A divertida “Formidable Cool” promete ser um baita momento nos shows, subindo e descendo a dinâmica com esperteza, dando um espaço legal para a interpretação de Ellie Roswell. “Sadboy” é outra que merece atenção, indo da balada fofa ao rockão distorcido e viajante. “St. Purple & Green” é exatamente o contrário da anterior, formando uma dobradinha interessante e até emocionante: o quanto essa banda evoluiu em composição e produção, mesclando estilos sem sacrificar o rock, fica claro.

“After The Zero Hour” é um folk mais plácido e intimista, um tantinho sessentista, aliás. Um som que até então não parecia estar no horizonte do Wolf Alice e implica que todos os integrantes encontrem um jeito diferente do que se mostrou ser o mais natural e espontâneo para o grupo. A faixa não soa forçada em nada, é bom que se diga, mas soa, sim, descolada do restante do álbum.

A fuga do básico e uma produção mais robusta fazem com que quase a totalidade de Visions Of A Life seja um belo passo à frente para a banda, que se arrisca mais um pouco. Somado às boas faixas de My Love Is Cool, o álbum tem repertório bastante adequado para festivais e para plateias maiores. Definitivamente, uma das melhores revelações da Ilha da Rainha que ainda tem muito a mostrar, com um arsenal variado e, até o momento, bastante seguro.

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