2017 Pop r&b Resenhas

Demi Lovato – Tell Me You Love Me (2017)

Demi continua evoluindo, mas não se desfez dos maneirismo

Por Lucas Scaliza

Tenho a impressão de que Demi Lovato chega ao sexto disco da carreira, Tell Me You Love Me, com vários méritos para sua discografia, mas não se livra de vícios irritantes. Conforme você se envolve mais e mais com as músicas e com a obra toda, aprecia melhor certas escolhas – como as boas melodias, alguns novos elementos sonoros, a dinâmica das composições – e vai pegando bode de outros maneirismos que ela já devia ter parado de usar, como vocais excessivamente altos e dramáticos.

O legal é que ela continua bem posicionada dentro do pop radiofônico e com bons ganchos no R&B, mas não manteve a mesmíssima música de Confident (2015), mostrando uma escalada de maturidade que sua pretensão dentro do mainstream permite. De forma geral, apesar de refrãos bem altos e de faixas para fazer a festa (até o clipe de “Sorry Not Sorry” foi inspirado em uma festa), como manda o figurino, Tell Me You Love Me é menos ansioso que o anterior.

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“Sexy Dirty Love” é Lovato tentando fazer algo diferente, mais próximo da música eletrônica e menos pop convencional, embora ainda seja bastante acessível. Batidas e produção de primeira, elementos noventistas que, se levasse a piração a sério, poderia fazer, quem sabe, o Chemical Brothers olhá-la com interesse. Já “You Don’t Do It For Me Anymore” fica na corda bamba, mas será interessante vê-la executando a faixa ao vivo, tamanha é a precisão das notas, cheias de vibrato, sustain e dinâmica. Sabe essas músicas que calouros em programas televisivos podem usar para mostrar que dominam bem o canto? Então, é essa faixa. Notas altas tão colocadas que, para Demi, em vez de um desafio à sua técnica, pode soar como uma forçação de barra.

“Daddy Issues” parece que vai enfim meter o pé em algo experimental, mas aí o refrão alto faz Demi entrar no “Katy Perry mode”. Ainda assim, a música agrada e a parte dos versos é muito satisfatória. “Lonely” não é uma música ruim, mas está ali para cumprir o papel muito bem determinado da música lenta, um clichê de álbuns pop. Embora a interpretação de Demi seja boa, não é surpreendente. A produção é bem bonita, mas sem nada demais para ouvirmos também. Lil Wayne faz uma boa participação, adaptando muito bem o seu rap ao arranjo da música, e não simplesmente cuspindo um rapeado em piloto automático. “Cry Baby” é uma das mais interessantes do disco, trazendo uma banda de verdade para o disco. Fica a impressão forte de que se ela tentasse fazer um Anti (2016), como a Rihanna, ou algo pop mais orgânico ao longo de um álbum todo, poderia se dar bem. “Concentrate” e “Hitchhiker”, praticamente irmãs gêmeas, seguem pelo mesmo caminho mais orgânico.

Mas o disco não termina tão bem. Fica a impressão que faltou um terceiro ato digno de Demi e Tell Me You Love Me. É claro que o poder de mídia social, da base de fãs e de venda de Demi Lovato fará com que muitas músicas sejam pinçadas do álbum para virarem singles, mas poucas são tão fortes como os de Confident. Isso tem um lado ruim, em termos comerciais, mas no contexto do trabalho acabam conferindo equilíbrio à obra.

Outra coisa pode prejudica-la: Confident era uma declaração que, ao menos liricamente, mostrava que ela queria passar uma mensagem, dizer algo aos fãs sobre si mesma e assim, quem sabe, inspirá-los, principalmente as mulheres. Este, desde o título batido, parece esvaziado de qualquer ideia mais arrojada. Sempre pode-se recorrer ao argumento de que é um álbum pessoal e íntimo ou que “Sorry Not Sorry” é um chamado para que ninguém se importe com os haters, mas verdade seja dita, as letras não são especialmente bem construídas ou retratando sentimentos de forma totalmente original. Embora contenha ideias musicas interessantes para a carreira dela, é como um filme com ótima fotografia mas com roteiro meh. Faltou um plot twist final arrebatador, mas ainda diverte e, no final das contas, vemos Lovato tentando ser cada vez mais dona de sua carreira.

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