2017 Pop Resenhas

Beck – Colors (2017)

Em “Colors”, Beck surfa na onda, pilota como um ás do volante e ainda assim não é suficiente pra ser mais que médio

Por Eder Albergoni

A moda da música é a utilização de recursos inerentes à melhor produção e qualidade de som. Tudo hoje em dia gira em torno das técnicas de estúdio, muito mais propositalmente do que nos tempos antigos. Convém ao artista decidir artisticamente a que produtor ele vai entregar a concepção de sua obra. Mal comparando, é a Fórmula 1 no que diz respeito à evolução dos carros e trabalho de pilotagem.

A característica musical da década, predominantemente pop, com batidas eletrônicas e sintetizadores, servem seu mercado de baladas, festas e shows coloridos em arenas. Se destacam DJs ou grupos facilmente maleáveis em contraponto a tudo o que, tecnicamente, evoluiu. O resultado é uma música cada vez mais pasteurizada, seja no rádio ou seja no underground mais escuro que só você conhece.

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O novo arroz de festa da temporada atende pelo nome de Greg Kurstin. Produtor de grande sucesso e prêmios com Adele, Sia e Kelly Clarkson. Kurstin chamou atenção de bandas de rock e artistas independentes. Apesar de uma empreitada razoavelmente bem sucedida com o Foo Fighters, as contribuições de Greg com Liam Gallagher e, agora, Beck, caem no senso comum de um produtor exageradamente pop.

De ideias simples e alegorias coloridas, Greg Kurstin transforma o quase cinquentão Beck num jovem recém saído da adolescência. Colors é uma quebra integral no jeito Beck de fazer música. Talvez fosse esse mesmo o intuito. Afinal, os discos anteriores Morning Phase (2014) e Modern Guilty (2008) eram particularmente difíceis, apesar da boa intenção.

É possível visualizar Beck abrindo shows do Coldplay sem nenhuma diferença estética. O que Kurstin faz ajuda a descaracterizar um dos artistas mais singulares do cenário indie. Se é que esse cenário ainda existe, visto que há mais de dez anos um disco de Beck não é classificado como independente. Talvez seja mesmo a tendência e o barulho alto da onda quebrando. A pista de dança não é o habitat natural de Beck, daí a coerência em chamar de experimentalismo o que acontece no disco. E daí o patamar elevado de um produtor que surfa na melhor prancha, ou tem a melhor telemetria do circuito.

Colors é extremamente alegre em sua primeira parte. Mais uma vez, o que ouvimos não é ruim, apenas se encaixa na média e serve pros pés, ou os ombros, se mexerem no ritmo das batidas. Ouvimos também algumas características próprias de Beck em “Seventh Heaven” e “I’m So Free”. “Dear Life” concentra uns riffs que bastam pra você dar uma viajada e esquecer do resto do mundo. “No Distraction” é um dos acertos indiscutíveis do álbum. Letra e melodia trabalham servindo a voz de Beck numa volta digna da pilotagem e talento de Lewis Hamilton, ou aquele aéreo que só Gabriel Medina é capaz de fazer.

“Up All Night”, “Square One” e “Fix Me” encerram o disco misturando momentos em que Beck se sobressai e momentos em que o produtor faz o trabalho para o qual foi chamado. Talvez tudo o que um produtor de cunho pop consiga realizar seja trabalhos pop. E isso, se tratando de Beck, é tão médio quanto os outros trabalhos no qual o produtor se empenhou. E podemos concluir que todo o hype em cima de Greg Kurstin não se justifique.

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