2017 Folk Indie Resenhas Rock

Nev Cottee – Broken Flowers (2017)

Folk atmosférico e íntimo para histórias melancólicas em uma voz profunda

Por Lucas Scaliza

Imagine se deparar com uma discografia que parece fundada naquele clima harmônico gostoso de “Breathe” do Pink Floyd. Mas com um pé no folk, outro no country e duas mãos em um tipo de psicodelia leve, do tipo que se parece mais com sonhos vívidos de quem está acordado, não uma viagem de LSD. E ainda tem uma boa presença do espírito musical exploratório do George Harrison em tudo isso. Mas é, sobretudo, uma discografia que vem se desenvolvendo desde 2013 e parece movida por forças da natureza. Não tornados e vulcões. É mais como ondas na praia, brisas e chuvas de verão, a neve caindo gentil na língua e não soterrando as ruas do Colorado.

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É assim que é quase tudo que o inglês Nev Cottee produziu até agora. Broken Flowers, o terceiro filho de sua carreira, apenas coloca muitos mais elementos de ambiente e trilha sonora do que os dois primeiros. Há canções sim, mas elas facilmente transmutam, se deixam desdobrar em outras vibrações e atmosferas, não ficam mais presas à levada do violão ou às estrofes que Cottee canta. Broken Flowers acaba sendo muito mais introspectivo, enquanto Strange News From The Sun (2015), por exemplo, jorra musicalidade que parece querer dominar o ambiente.

Se “Open Eyes” é o tipo de folk facilmente reconhecível e um single em potencial, em “I’ll Sleep When I’m Dead” e na longa “Tired of Love” Cottee mostra que a ambiência sonora eleva a maturidade de sua produção e que não precisa confiar apenas em sua voz como condutora da música. Em certo ponto, “Be On Your Way” até deixa para lá o vocalista e se dá muito bem misturando improviso de guitarra com orquestração.

Embora não seja a única a roubar a cena, a voz de Cottee ainda impressiona. E se a ideia de Broken Flowers é contar histórias de amores sofridos, melancolia e problemas humanos íntimos, sua voz grave e rouca, daquelas que parecem sair de um buraco em uma árvore idosa, nos acerta em cheio. É difícil ouvir “When The Night Comes” e “The House Where I Live” e não prestar atenção no que ele diz, sempre com suavidade e calma.

Ou não é o disco para ansiosos ou é o disco que pode ajudar a diminuir a agitação dos inquietos. Broken Flowers é meditativo, contemplativo e cinematográfico, com um instrumental que sabe usar a imprevisibilidade a seu favor sem ser espalhafatoso. Nev Cottee é, no final das contas, bastante sensível. Às vezes, é tudo que sua cabeça precisa para viajar.

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