2017 Folk Resenhas Rock

Courtney Barnett & Kurt Vile – Lotta Sea Lice (2017)

Americano e australiana unem muito bem suas personas musicais em álbum de folk

Por Lucas Scaliza

Eles fizeram dois ótimos álbuns em 2015. Kurt Vile dando continuidade à carreira solo, deixando para trás um pouco mais o som que fazia no The War On Drugs. Courtney Barnett saindo da Austrália levando um rock largado e bem feito, com atitude e presença de palco. Em 2017, juntos em Lotta Sea Lice, vemos que suas personalidades e gênios musicais bateram.

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É notável como se dão bem em todas as faixas do álbum e dividem bem as funções. A diferença de idade entre eles (oito anos) e a distância geográfica quase não parecem fazer diferença ao longo do álbum. É tão possível visualizar Barnett comendo bacon e ovos fritos no café da manhã gorduroso dos EUA como Vile andando com seu violão pela beirada de uma estrada no semiárido australiano. Músicas como “Over Everything” (a melhor parceria do ano talvez?), “Continental Breakfast” e “Fear Is Like a Forest” dão conta fácil dessa percepção.

Embora sejam dois cantores, guitarristas e compositores, é fácil perceber que o projeto musical todo de Lotta Sea Lice parece muito mais calcado no estilo de Kurt do que de Courtney. Abundam os dedilhados e um certo bucolismo muito mais em voga na discografia folk rock dele do que os power chords e a crueza punk/grunge dela. No geral, é um disco leve, mas algumas músicas evoluem para seções instrumentais que podem ser bastante viscerais, com solos de fuzz e bases mais pesadas.

Ela canhota, ele destro. Ela empunhando uma Telecaster, ele com a inseparável Jaguar. Uma ótima combinação de timbres da Fender que nunca competem entre si. Uma parceria que era para ser apenas uma jam entre os dois músicos, mas acabou se estendendo por oito encontros em 15 meses, quando suas agendas permitiam que estivessem no mesmo lugar ao mesmo tempo. Isso é outro ponto que não dá para deixar de notar: ao longo de tanto tempo, e com tão pouco tempo juntos para tocar, conseguiram um belo repertório de nove faixas que, se não são ousadas, pelo menos são totalmente coerentes e mantêm um estilo único ao disco, seja no jeitão divertido e feliz de “Blue Cheese” ou na mais hermética “On Script” e no folk de meio oeste “Peepin’ Tom”.

O ponto fraco do álbum talvez seja ficar muito à sombra do estilão de Vile faixa após faixa. É fácil o ouvido se acostumar rápido com a sonoridade de Lotta Sea Lice e sobrar muito pouco para explorar em novas audições. Não é um disco incrível, mas tem faixas valiosas. Se tivessem mais tempo para ousar, teriam se entendido ainda melhor ou nem álbum teríamos?

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