2017 Folk Pop Resenhas

Niall Horan – Flicker (2017)

Álbum climático, enxuto e semiacústico

Por Gabriel Sacramento

Desde que o One Direction anunciou o hiato para que os membros pudessem ter mais tempo para seus projetos pessoais, tivemos dois álbuns lançados: o autointitulado de Harry Styles e Flicker, do Niall Horan. Os outros membros do quarteto vão lançar seus álbuns no futuro e pelo que já ouvimos deles, dá para notar que cada uma direção diferente – o que torna mais fácil entender o porquê do hiato. Enquanto Liam Payne lançou um single R&B genérico e superproduzido, Harry Styles lançou um álbum cheio de toques de rock clássico, folk e baladas inspiradas. Já Horan fez um álbum semiacústico, com toques de pop/folk e influências de soft rock.

Os membros do grupo estão chegando e se unindo a uma tonelada de artistas pop que têm se destacado no Reino Unido nos últimos anos: Ed Sheeran, Passenger, Lewis Capaldi, James Bay, Rag’n’Bone Man, Gavin James e James Arthur são alguns dos nomes. As tendências mais comuns entre esses artistas é música acústica e folk, sempre com muito foco em violões. Horan se concentra nisso aí, então de cara já percebemos que não estamos diante de nada novo ou totalmente original.

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O cantor chamou quatro produtores para seu primeiro álbum: o onipresente Greg Kurstin, Jacquire King – o produtor do James Bay -, Julian Bunetta e Matt Rad, que já tinha trabalhado com o 1D. “On The Loose” abre o álbum com guitarras climáticas e um feel de fim de tarde de sexta. A forma como o pop é administrado na faixa já diz muito sobre o álbum: não há pressa para cair em refrãos enormes como no 1D, mas sim uma calmaria semiacústica, uma atmosfera convidativa, que agrada de cara. Temos a mesma impressão em outras canções mais good vibes, como “Slow Hand”. A faixa-título e “This Town” denunciam a veia pop/folk passengeriana do álbum, fazendo o cantor parecer uma espécie de Ed Sheeran irlandês.

Em seu primeiro álbum, Niall Horan conseguiu passar uma boa primeira impressão do que será sua carreira solo. Se Harry Styles conseguiu um resultado multifacetado e forte, Horan vai por um caminho diferente: investe em poucas nuances, na singeleza das faixas, utilizando-se do poder de poucos instrumentos unidos e estrategicamente colocados nos arranjos. O cantor abre mão do excesso de polimento e obtém com seus produtores um resultado simples, econômico, com pouca maquiagem, mas que deixa claro o quão boas são as faixas e melodias escritas. Nos momentos mais fortes do álbum, temos um foco na interpretação, nas letras e não uma sensação de força e peso gerados pela manipulação sonora, mixagem ou efeitos – e esse é um dos méritos da produção. É a mesma lógica de um álbum acústico, com poucos overdubs, em que tudo depende mais do que foi escrito do que do processo de pós-produção.

A sonoridade de Flicker funciona bem. Os poucos instrumentos soam bem definidos, mas não altos na mix a ponto de fazer com que prestemos muita atenção neles. O objetivo é uni-los ao ambiente e servir de base para que os vocais brilhem. Percebemos isso facilmente em faixas como “Since We’re Alone”. E nas músicas que partem para o lado mais dançante, temos uma abordagem que lembra a da banda The Bird and The Bee, do Greg Kurstin (olha ele de novo!) no seu último álbum: som limpo, seco, sem exageros de frequências e volume. Tudo isso para obedecer o princípio que guia o disco em termos de som: ser climático e brincar com nuances.

Se Flicker vai vender bastante como Niall deve estar esperando? Não sei. O que sei é que é uma boa estreia e prova cabal de que os próprios músicos do 1D estavam, de certa forma, insatisfeitos com os rumos criativos do grupo – fortemente direcionado pelos produtores – e desejavam fazer algo mais pessoal. Styles surpreendeu. Mirou alto e acertou em cheio. Horan aposta no sutil e acerta também, fazendo a experiência de ouvi-lo ser mais interessante que a de ouvir os álbuns de sua banda de origem. Mais um ótimo álbum para o pop britânico.

102.7 KIIS FM's Jingle Ball - Show
Mike Windle
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