2017 Metal Resenhas Rock

Sons of Apollo – Psychotic Symphony (2017)

Primeiro álbum de novo supergrupo de metal cumpre bem o que promete

Por Gabriel Sacramento

Procure alguém que trabalhe mais que o Mike Portnoy no music biz e falhe miseravelmente. Depois que saiu do Dream Theater, o músico tem se envolvido em diversos projetos, explorado diversas facetas, o que o faz crescer como músico, é claro, e sobreviver no difícil mundo de turnês e gravações. Aliás, o baterista deixou claro que saiu da famosa banda de prog metal por causa disso mesmo: para fugir da mesmice, da rotina e ter a oportunidade de trabalhar com pessoas diferentes em projetos diferentes.

O seu novo projeto se chama Sons of Apollo e envolve o guitarrista Ron Thal – que tocou com os Guns N’ Roses -, o vocalista Jeff Scott Soto, o tecladista Derek Sherinian – ex- Dream Theater e que também trampa no Black Country Communion – e o baixista Billy Sheehan, parceiro de Portnoy no The Winery Dogs. Enquanto os Dogs estão em uma pausa, Portnoy disse que vai se dedicar à nova banda. O primeiro álbum é Psychotic Symphony e foi produzido pela dupla ex-DT Sherinian e Portnoy.

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Vale dizer que o supergrupo não é só um projeto do Portnoy. Temos vários talentos aqui sendo bem explorados, como o Derek, que está bem melhor no Sons of Apollo do que nos quatro álbuns do outro supergrupo de que é membro. A produção é bem distributiva e consegue conferir protagonismo à instrumentos distintos. Isso é bem perceptível em alguns momentos quando um instrumento parece “se transformar em outro”, ou seja, um instrumento perde a função principal no arranjo para outro, o que fortalece a ideia de esforço em grupo.

Os dois primeiros singles lançados – “Coming Home” e “Sign of the Times” – são justamente as faixas mais comerciais e apelativas do trabalho, com refrãos bem trabalhados e enfatizados. No entanto, assim como no restante do material, temos melodias bem equilibradas com uma sensação de peso desmedido dos instrumentos convolutos, um peso quase industrial, que abraça o djent em alguns momentos. Nada cai para o comercial exagerado, pelo contrário: as melodias são funcionais, marcantes e surgem apenas para complementar a porradaria em doses meticulosamente calculadas. O vocalista Jeff Scott Soto soa bem imponente com sua voz, fazendo um trabalho satisfatório.

A produção também acertou na hora de escolher o repertório e destacar o aspecto progressivo das faixas em uma boa medida. Sim, estamos ouvindo um projeto de prog metal com faixas longas, letras fantasiosas, ritmos quebrados, seções que caem para algo mais fusion e riffs cheios de fritações. A questão é que tudo é muito bem feito e cada segundo do álbum é bem aproveitado. Em nenhum momento o disco cansa o ouvinte – como alguns álbuns do próprio Dream Theater – e mesmo que as canções longas pareçam desencorajar a audição, temos menos de uma hora no tempo total. “Opus Maximus” é o instrumental que fecha o álbum com maestria, mesclando momentos mais sombrios com outros mais leves de uma forma ágil e harmoniosa, com o senso de progressividade coesa unindo muito bem as ideias. Nessa faixa, passamos por diversos climas diferentes, como diferentes histórias contadas pelos quatro músicos, que se valem da criatividade e harmonia entre eles para explorar camadas inteligentes que engrandecem o arranjo.

Aliás, as performances são excelentes: Derek Sherinian está bem à vontade com seus teclados, solando bem, alternando com o Ron Thal na guitarra e proporcionando aos ouvintes ótimos momentos, como a introdução jonlordiana de “Divine Addiction”. Portnoy está sempre muito bem nas baquetas, com suas linhas dinâmicas e sua pegada cheia de feeling e energia. Ele consegue como poucos literalmente traduzir para os tambores cada nota dos riffs de guitarra e baixo. Ron Thal também se destaca com riffs e solos afiados e timbres que chamam a atenção por si só em muitos momentos. Não é uma performance livre e divertida como ele costuma fazer na ótima carreira solo (Bumblefoot), mas ainda assim compensa.

Somente o Billy Sheehan está subaproveitado aqui: em muitos momentos sentimos claramente a falta do seu baixo agudo e distorcido e de sua excentricidade. A produção falhou em extrair o melhor do músico e a mix falha também em deixar seu baixo evidente para os ouvintes. Na verdade, a mixagem é um dos problemas do álbum no geral: em alguns momentos ela fica confusa demais e as bases de guitarras, teclados e baixo sobrepostas ficam brigando entre si pelo espaço e pela atenção do ouvinte. Fica a sensação de que ela não acompanha perfeitamente as nuances das faixas e não confere a definição sonora que alguns arranjos requerem.

Psychotic Symphony é um álbum interessante, que mesmo com seus problemas, ainda consegue soar simpático aos ouvidos depois de seus 57 minutos de duração. Não é um álbum sensacional, mas é honesto, cumpre o que promete e ainda deixa uma boa primeira impressão desses músicos juntos e do que podem fazer. Como um supergrupo, não tem a consistência de um Prophets of Rage, mas só por ter elementos de progressivo e não cair nos vícios de muitos outros grupos do estilo, a nova banda com certeza acabará se destacando. Você pode se frustrar se for esperando algo totalmente diferente do que o feijão-com-arroz que uma boa banda comum de prog metal pode fazer. Isso porque o álbum não é fora do normal e nem tenta ser, mas em um 2017 pobre de destaques no heavy metal de nomes mais conhecidos, ainda soa como uma coisas mais legais que você vai ouvir por aí.

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