2017 Pop Resenhas

Sam Smith – The Thrill Of It All (2017)

Produção de Sam Smith segue os passos de Adele, mas esquece a diversidade

Por Lucas Scaliza

Apesar de lançado após três anos de seu primeiro disco, The Thrill of It All surge como uma continuação natural e mais madura de In The Lonely Hour (2014). Fica claro que o inglês Sam Smith, que de atendente em um bar de Londres foi catapultado ao primeiro escalão do pop mundial em 2012, encontrou um mercado e um empresariado que já havia conhecido Adele – o maior fenômeno da música britânica – e sabia como lapidar uma joia e não a deixar cair em (muitas) armadilhas do stardom.

As 14 faixas são pensadas e construídas para emocionar. É este tipo de pop sensível que Sam Smith faz, usando muito bem sua voz, capaz de ir de notas graves a falsetes com facilidade invejável (“Pray” dá um exemplo didático disso, aliás). E a sua voz está em primeiro plano em todas as produções. Além de nunca ser encoberta pelo instrumental, o produtor irlandês Steve Fitzmaurice e o inglês Jimmy Napes (que ganharam dois Grammys com o disco anterior de Smith) cuidaram para que a banda fosse enxuta.

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Assim, em “Palace”, temos basicamente uma guitarra e um piano fazendo a cama harmônica para seu canto. “Say It First” tem mais elementos, mas servem mais pra impor um ritmo e criar um clima. “One Last Song”, um ótimo R&B com cara de anos 60, é mais animado, mas não mais barulhento. E “Too Good At Goodbyes” é feel good total, boa para tocar de fundo em um american bar ao pôr-do-sol, enquanto você toma um Bourbon.

Em “No Peace”, com ótimo dueto com Yebba, o instrumental vai ganhando mais presença e novos arranjos, mas não chega a ser explosiva. A diferença entre Sam Smith e Adele em termos de produção é esta: Paul Epworth dá peso e gravidade ao som e voz de Adele; Fitzmaurice prefere manter tudo smooth. O que há de parecido entre eles é o pop sem ansiedade, sem o apelo infanto-juvenil, romântico e sóbrio.

Sam Smith realmente se encaixa numa categoria parecida com a de Rufus Wainwright, mas muito mais acessível. No caso de The Thrill Of It All, se a intimidade transborda e o cantor realmente se prove, mais uma vez e sem exageros, uma voz única, fica claro que o disco sofre com uma falta de imaginação e de ousadia. Quase todas as faixas são baladinhas românticas usando as convenções de sempre do pop. Não há um desvio sequer do caminho seguro, o que faz parecer, às vezes, que estamos ouvindo músicas muito parecidas umas com as outras. Dá até um alívio quando chegamos na mais animada “Baby, You Make Me Crazy”. Em termos de diversidade, Smith perde feio para 25 (2015) e ambos ficam bem atrás da obra de Wainwright.

Além de Fitzmaurice e Napes, outros seis produtores trabalham com o cantor inglês (incluindo os experientes Timbaland e Stargate) e nenhum o retirou de sua comportada e confiável caminhada. Mesmo que como disco The Thrill Of It All não seja uma unanimidade, singles e faixas ouvidas isoladamente devem manter o interesse no cantor em alta – e fornecer trilha sonora para casais, playlists de motel e ideias para calouros do The Voice.

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1 comentário em “Sam Smith – The Thrill Of It All (2017)

  1. só ouve, não veja pq é video gay.

    Atenciosamente, Andréa C. de Freitas Resp. pelos processos* a partir de 25/1/2016* TDE IV / F – Masp 1059858-9

    *DIVAE: **(31) 3841-9496* OI: (31) 9 8025-7619 {8h/12h e 13h30/17h30}

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