2017 Pop Resenhas

Kelly Clarkson – Meaning of Life (2017)

Kelly Clarkson finalmente cometeu um disco tão grande quanto My December

Por Eder Albergoni

Quem acompanha o Escuta Essa com mais atenção sabe algumas de nossas opiniões sobre cantoras. Casos mais notórios são os de Lea Michele e Demi Lovato, que já há algum tempo geram críticas acerca de seus repertórios e a produção de seus discos. Da conclusão de uma adolescência prolongada à concepção artística fadada à pasteurização e repetição de fórmulas, as duas citadas sofrem pra dar um passo a frente e mudar o patamar de suas carreiras.

Quem passou por isso foi Kelly Clarkson quando lançou My December (2007). Assumindo controle maior, e risco por suposto, Kelly se desvencilhou da fórmula fácil de seus dois primeiros discos e conseguiu um grande feito. Infelizmente, fãs e crítica não acharam a mesma coisa. Kelly foi taxada de fracassada e quase obrigada a voltar a usar a fórmula mágica criada pela indústria. All I Ever Wanted (2009) trazia uma Kelly parecida com aquela que deslanchou no American Idol e depois se repetindo numa eterna pasmaceira que jogou sua carreira em um tipo de limbo.

Mas ao que parece quem não morreu ainda tá vivo e, portanto, pode conseguir algo digno de nota numa retomada redentora. Kelly consegue com Meaning of Life encontrar o sentido exato que imaginou em My December. Talvez tenha faltado a ela, naquela oportunidade, não a aventura em si, mas a jornada, e experiência, que Meaning of Life colheu.

“Love So Soft” abre o álbum mostrando a inteligência da produção em não jogar fora nenhuma fórmula e talento em encontrar um caminho que remodelasse as características de Kelly longe de uma repetição forçada ou conformada. Em “Meaning of Life” uma batida R&B com toques jazzísticos aproxima Kelly de uma clássica Alicia Keys. O mesmo pode ser dito de “Move You”, onde a cantora acrescenta toda a potência de sua voz pra criar, com certa metalinguagem, um grande momento do disco.

Kelly também se arrisca, mas de um jeito bem confortável, como compositora em “Whole Lotta Women”. “Medicine” e “Cruel” recuperam a Kelly dos discos anteriores, talvez pra não causar estranhamentos maiores e “Didn’t I” volta com as soluções espertas usando um afiado naipe de metais. “Would You Call That Love” traz a produção do suprassumo arroz-de-estúdio Greg Kurstin, numa faixa que não interfere no resultado final do disco. Muito em razão da sequência que fecha o álbum.

“I Don’t Think About You”, “Slow Dance”, “Don’t You Pretend” e “Go High” são as responsáveis pela referência direta a My December. Nelas Kelly entrega tudo o que já havia feito, só que dessa vez com a segurança de quem já conhece o ~fracasso~. Dez anos separam os dois lançamentos. Talvez o tempo necessário para transformar o amadurecimento, de um sentimento revelador sobre si própria, em uma ótima ferramenta eficaz contra críticas confiáveis e fãs cobertos de razão.

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