2017 Eletronica Pop Resenhas

Taylor Swift – Reputation (2017)

A velha Taylor não morreu, mas nova Taylor se esforça para contar outra história

Por Lucas Scaliza

A Taylor má, a Taylor fofa, a Taylor romântica, a Taylor sagaz, a Taylor que quer se provar, a Taylor que já se provou, a Taylor que manda recado, a Taylor e seus ex, a Taylor e o que ela quer ser. Reputation, o sexto álbum da cantora, é um divisor de águas na carreira ainda maior que 1989 (2014), mas apesar do sucesso comercial (400 mil álbuns vendidos só na pré-venda, um record e o dobro da pré-venda do disco anterior) não é uma novidade para a música pop de 2017. Ou de 2016, ou de 2015…

Salvo por “New Year’s Eve”, por um pianinho aqui ou acolá e um violão discreto em “King Of My Heart”, em Reputation quase não sentimos a forma orgânica como Taylor Swift compõe suas músicas, decidindo no piano ou nas seis cordas as levadas que ditarão o ritmo de cada faixa e os acordes que melhor se encaixam em suas letras e melodias. 1989, a quebra dela com o country e entrada direta no pop, ainda guardava um pouquinho desse feeling. Agora ela chegou ao pop sintético que domina de Britney Spears a Lorde. “…Ready For It?” é uma abertura bombástica, assim como o single “Look What You Made Me Do” foi a responsável por nos dar um bom vislumbre do que viria e atestar que não só Taylor continua amadurecendo como parece saber que é importante testar coisas novas.

Bom, novas para ela pelo menos.

taylor_swift_reputation_2017

Por mais que Reputation seja uma mistura bem equilibrada da Taylor Swift de sempre (como o pop de moleca em “Gorgeous” ou a facilidade como “This Is Why We Can’t Have Nice Things” escorre para dentro dos ouvidos) com a Taylor mais lacradora (como na hip hop “End Game” ou a lordesca “I Did Something Bad”), fica a impressão de que ela chegou atrasada ao rolê pop em termos de som. “Don’t Blame Me”, uma das melhores do disco e das mais sombrias que ela já fez, tem um quê de Lana Del Rey + The Weeknd, assim como a climática “So It Goes” é muito Rihanna, da produção até a forma de se expressar da cantora. Apesar do empenho de produtores como Jack Antonoff, Max Martin e Shellback, entre outros que fazem parte da construção de reputação da artista, nada soa fresco ou novo. Quem acompanha a música por algum tempo já ouviu todos aqueles efeitos e timbres e formas de colocar a voz em algum outro lugar.

Se Reputation é um bom disco, não é, definitivamente, por causa da novidade em seu som. Até mesmo o clipe de “…Ready For It” é uma estética de superprodução que já vimos em “Bad Blood” e aspectos visuais que parecem chupados diretamente dos filmes de Ghost In The Shell (1995 e 2017). Sendo assim, é a narrativa que ela construiu que tem o verdadeiro poder de fazer os fãs mergulharem em seu produto, buscando suas diferentes facetas em diversos momentos da vida para construir a verdadeira Taylor, ou a “nova” Taylor, e aí, quem sabe, perceber que a “velha” Taylor não morreu, como mostra “Getaway Car”. Ela só está jogando com as tendências, com o mercado e com o público, aproveitando-se das possibilidades que seu sucesso cria.

Essa de apostar firme numa narrativa que extrapola os limites do CD, do arquivo de áudio e do streaming não é novo também, e todas as divas pop com poder, imaginação e equipe suficiente para isso exploram essa forma de se vender. É só lembrar de Lemonade (2016) da Beyoncé. E, de forma mais underground, os primeiros cinco álbuns de Marilyn Manson que possuíam um tema ou um personagem para o cantor “interpretar” e dar o tom do álbum.

Com fãs apaixonados e que já discutem se a música X é resposta para Katy Perry ou se a música Y é mesmo para aquele ex famoso, a estratégia narrativa de Reputation parece funcionar direitinho. A música, mesmo que nada inovadora em termos musicais gerais, está OK e é uma novidade em sua discografia a que certos fãs ainda terão que se acostumar. Mas tirando o feito comercial e a atenção da mídia que o álbum recebeu, não é o álbum do ano que parecia vir por aí. Entretanto, é divertido acompanhar seus fãs em um game detetivesco, um whodunit, a procura dos parceiros da popstar em cada um de seus “crimes”.

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