2017 Pop Resenhas Rock Soul

Nic Cester – Sugar Rush (2017)

Com sua voz incrível e sensibilidade pop para soul, rock e psicodélico, Nic Cester faz um disco vintage e carismático

Por Lucas Scaliza

Nicholas John Cester, o Nic, é talentoso. Provavelmente, fez um dos melhores discos de 2017 na categoria Simples Que Satisfaz. Seu nome foi um dos tantos que apareceu de forma aleatória em procura por novos artistas e desde o primeiro play em Sugar Rush, seu primeiro álbum solo, não deixei mais de ouvi-lo. Você está lendo esse texto só agora, mas eu já estou curtindo cada faceta desse australiano barbudo há pelo menos dois meses.

Ele era vocalista e guitarrista da banda Jets, que teve um single guitarreiro que tocou no mundo todo (“Are You Gonna Be My Girl”) e ouvimos muito pouco depois disso. Em 2006, Nic Cester passou por um tratamento de nódulos vocais. Mais de 10 anos depois, Sugar Rush prova que o cantor está em plena forma e pronto para te conquistar com rock cheio de fuzz, um pouco de psicodelia e vocais rasgados , tudo muito bem dosado.

Nic-Cester

Se unirmos a imagem de Nic com seu som, poderíamos definir este disco como uma mistura de Father John Misty com o perfil roqueiro e animado de Strand Of Oaks. Bateria e baixo segurando todas as pontas, mantendo todas as canções no chão e continuamente instigantes, deixando a guitarra e teclado livres para fazer outros arranjos seja para faixas mais viajantes, como “Sugar Rush” e a excelente “Psichebello”, as vintages “Hard Times” e “Little Things”, a quase soul “Eyes on the Horizon” e a redentora e poderosa “God Knows”.

Ao longo de 12 canções, temos uma percepção bem clara de um cantor que não exagera em nada, trabalha muito bem sua voz – seja ela mais limpa ou mais carregada de drive – e não soa pretensioso em momento algum. Como o FJM em I Love You Honeybear (2015), Cester deixa o ouvinte com uma imagem de compositor bastante musical e muito carismático.

“Strange Dreams” poderia muito bem ter saído da mente de Kevin Parker “Not Fooling Anyon” não é composição de Dan Auerbach, mas poderia ser. Já “Who You Think You Are” traz sensibilidade pop oitentista ao disco e a fuzzeira “Neon Light” ganhou um tratamento de estúdio que a deixou abafada, mas bastante condizente com toda a purple haze setentista que está impregnada em Sugar Rush.

Um disco muito bem arquitetado e cheio de canções que descem fácil, fazendo um bom uso da nostalgia e da estética retrô em canções que funcionam muito bem. O próprio Dan Auerbach, um rei nessa seara de folk-rock-pop com sensibilidade soul e blues saudosista, não conseguiu fazer seu Waiting On A Song (2017) soar tão marcante e completo.

A cena australiana tem fornecido excelentes trabalhos nesse meio. Será que é a escassez de água de lá que tem provido um revival psicodélico tão vasto e tão bom? Ou os ares italianos que Nic também respira, vivendo parte do ano no país de Da Vinci e tocando na The Milano Elettrica? Não temos essas respostas, mas Sugar Rush satisfaz plenamente e já quero mais.

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