2017 Resenhas Rock

Tyler Bryant and The Shakedown – Tyler Bryant and The Shakedown (2017)

Não é a melhor coisa que você ouvirá deles, mas vale muito a audição

Por Gabriel Sacramento

Depois de um ótimo álbum de estreia e um EP, o grande desafio do grupo Tyler Bryant and The Shakedown era fazer uma sequência que mantivesse o DNA da banda, sem soar cansativo e acabar perdendo o ouvinte no meio do álbum. Para isso, eles decidiram chamar o John Fields para a mixagem e comandar a produção eles mesmos. No EP Wayside, eles contatam com a produção, engenharia e mix do famoso e ótimo Vance Powell – que já trabalhou em diversos álbuns do Jack White e sabe tirar um som de rock como poucos.

O novo álbum, auto-intitulado, chega quatro anos depois do primeiro e mostra uma banda bem mais entrosada, madura e experiente – inclusive depois de ter tocado aqui no Rock in Rio e São Paulo Trip. Depois de um tempo ouvindo a banda, chegamos à conclusão de que eles podem ser: 1) uma boa banda de rock de garagem com muito fuzz; 2) uma banda de hard rock festeiro e oitentista; e 3) uma banda de boas baladas e canções contemplativas. A abordagem da produção para este novo álbum buscou equilibrar estas facetas e nos entregar essa noção de identidade múltipla da banda, que não se contenta com apenas uma vertente do rock, mas faz bem várias. Não é um transtorno de identidade, mas sim um senso de controle perfeito, como se tivessem um switch para ligar cada faceta e desligar automaticamente a outra. Importante ressaltar que, mesmo sendo diverso, o álbum nunca parte para a complexidade excessiva.

tina korhonen
Tina Korhonen

“Heartland” abre o álbum com uma generosa dose de fuzz e já no refrão de cara, surpreendendo-nos em poucos segundos. Nesta, temos a veia garageira da banda bem desenvolvida. “Don’t Mind The Blood” é a veia blues-rock e “Backfire” fica entre o garage rock e algo mais hard rock, com o melhor refrão do álbum. Já “Weak and Weepin’” é hard rock total, lembrando inclusive riffs do Paul Gilbert no Mr. Big anos 80. “Easy Target” explora um riff inesquecível, mesmo que não inventivo e “Aftershock” funciona como uma boa faixa mais stoner rock: lenta, arrastada e com guitarras musculosas tipo as do Mothership. No meio disso tudo, temos três faixas mais limpas: o blues “Ramblin’ Bones”, “Magnetic Field” – com violões aconchegantes – e a melhor balada do álbum, que é também meio soturna e solitária, “Into The Black”. Em termos de repertório, a produção acertou em cheio: todas as faixas são muito boas e estão no álbum para cooperar com o objetivo final.

As performances são no geral bem satisfatórias. O vocalista Tyler está muito bem, cantando o necessário nas faixas mais roqueiras e se destacando mesmo nas faixas mais baladeiras, onde conseguiu explorar regiões pouco óbvias de sua tessitura vocal e acrescentar mais nuances às interpretações. As guitarras continuam sendo o principal elemento dos arranjos e funcionam bem nesse sentido, carregando as faixas nos ombros. Esperava um pouco mais do baixo, que ganhou um espaço interessante no EP anterior – inclusive usando distorção – e aqui, trabalhou limitado pelas guitarras.

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A mixagem do álbum é até convincente em momentos mais esparsos – com poucos elementos -, mas fica abafada demais nas seções com mais instrumentação. E esse abafamento acaba pesando contra, deixando alguns momentos sujos demais e outros sem o devido impacto. As guitarras são tratadas para acumular o peso e a sujeira que esse tipo de som pede, mas acabam ocupando espaço demais na mix e a bateria e o baixo ficam escondidos em muitos momentos. Nos faz sentir falta da profundidade que Vance Powell conseguiu no Wayside e aquele som mais garageiro marcante que é a marca de seus diversos trabalhos.

O novo álbum não é melhor que o debut e o EP, mas pode convencer novos ouvintes acerca da banda, pois trata-se de uma boa biografia musicada deles. Se o primeiro álbum tinha melhores faixas – que podem te fazer virar fã instantaneamente -, este Tyler Bryant & The Shakedown tem faixas menos impactantes, mas impressiona pela produção bem mais balanceada, que te conta mais acerca do que eles são capazes. Uma banda para quem curte garage rock revival, para quem curte hard rock revival e para quem curte uma interpretação pessoal desses gêneros misturados. Comece por aqui e depois vá atrás do resto. Garanto que não vai se arrepender.

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Alex Woloch
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