2017 Indie Pop Resenhas Rock

Saskwatch – Manual Override (2017)

Sexteto australiano mostra rock/pop psicodélico no álbum mais redondo da discografia

Por Lucas Scaliza

O Saskwatch me parece o tipo de banda que trilha um ótimo meio fio entre o rock e o pop. Não deixa de colocar a pressão de baixo e guitarra distorcida no som e não esquece nunca de fazer composições com boas melodias de voz e acessíveis, mas não muito mastigadinhas. O psicodélico, que parece estar presente na Austrália do século 21 como esteve na Califórnia do Verão do Amor, é descarado na capa do álbum e vai se diluindo em doses bastante aceitáveis ao longo do disco.

Saskwatch_2017

Ainda que esteja mais pop que Sorry I Let It Come Between Us (2015), onde pop, rock alternativo com toques de jazz dividiam o mesmo espaço, Manual Override mantém a constante evolução do grupo. Não deixam de soar como um sexteto, não cometem exageros e menos ainda deixam o carisma morrer. A jovialidade de “Then There’s You” e “Renoir” ou a forma como moldam “Finger Painting” e “December Nights” lembram até algumas canções inusitadas do indie do anos 2000 misturadas ao clima geralmente solar e animado do duo dinamarquês Junior Senior. E tudo isso, em termos de gênero, aliados a uma produção feita pela própria banda que deixou teclados e sintetizadores, bateria um tanto garageira e solos de guitarra fuzz, faz com que Manual Override mantenha o DNA da banda sem se repetir demais.

A vocalista Nkechi Anele está melhor do que nunca, soando como uma experiente cantora pop (“Shriking Violet”), mudando sua interpretação quando a canção é mais jovem ou soa mais madura (como “North Terrace” e “Fortress”). O instrumental não passa despercebido, mas o foco das composições do álbum está mesmo em Nkechi. Embora o disco anterior pareça oferecer desafios maiores ao grupo, é em Manual Override que parecem mais acertados e perfeitamente equilibrados. Ao chegar a faixa “Heaven Seems So Far”, uma das mais tristes do álbum e também das melhores, o ouvinte já sente como se o Saskwatch fosse da família, uma velha conhecida.

O que mais gosto nesse disco do Saskwatch, afinal, é como ele não soa pretensioso e de como em momento algum temos a impressão que algo ali não está higienizado demais. Até os momentos menos inspirados contribuem com o todo e conseguem expressar uma faceta do sexteto de Melbourne. Embora tenha muito mais músicas sobre perda e corações partidos do que nos três trabalhos anteriores, até mesmo as músicas mais animadas conservam alguma melancolia que, fundida ao psicodelismo doce, cria momentos de puro deleite. Um disco pra se levar a sério (como não acreditar nos sussurros comoventes de Nkechi em “Reinassance Man”?) ou para ouvir por pura diversão. Funciona sempre.

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