2017 country Resenhas

Chris Stapleton – From a Room: Volume 2 (2017)

Stapleton segue muito bem com seu country que namora o rock

Por Gabriel Sacramento

Dave Cobb e Chris Stapleton estão de volta. Cobb, um ótimo produtor de country e rock e Chris, um compositor de mão cheia. Desde o último segundo do Volume 1, já estávamos ansiosos – e um tanto receosos – para essa continuação. Será que vai ser mais do mesmo? Será que esse mais do mesmo vai funcionar? Bem, a parte 2 já está entre nós e mais uma vez a dupla, que tem movimentado bastante a música country nos últimos anos, entregou um resultado plenamente consistente.

E mais uma vez eles contaram com os serviços do barbudão Vance Powell, um dos melhores mixers da atualidade, e seguiram a abordagem dos primeiros álbuns que prioriza um som que dá uma sensação de que está acontecendo ao vivo enquanto você ouve. Aliás, vale destacar que os três têm conseguido “sons de sala” realmente sensacionais, que com certeza vão virar referência para quem busca um som semelhante. Uma sala de um estúdio interfere bastante em como soa um álbum e Dave Cobb, ciente disso, estabelece um senso de local geográfico definido, que faz o ouvinte viajar ao lugar onde os sons foram manufaturados.

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Os timbres de guitarra e violão do álbum também são coisa de outro mundo. Aliás, essa é outra característica dos álbuns assinados pelo Vance Powell: o mais recente do Third Day, os do Jack White, entre outros nomes. “Hard Livin’” é um blueszão com guitarras e violões no mesmo barco e uma certa poeira típica do sul dos Estados Unidos. “Scarecrow in the Garden” é uma balada calcada no violão e em um andamento mais tradicional do country, mas gostosíssima de ouvir. “A Simple Song” também é calminha e minimalista, quase indo para o terreno do folk, lembrando a beleza acústica das canções do Passenger no último álbum. O solo de guitarra do Chris em “Nobody’s Lonely Tonight” é uma das coisas mais lindas que ouvi esse ano, com uma sensibilidade e singeleza típicas de guitarristas como John Mayer. E a sincera e confessional “Drunkard’s Prayer” soa como se Chris estivesse cantando sentado e sozinho no famoso Cittie Of Yorke, conhecido como pub do confessionário, na velha Londres, com nada mais que um violão. Ah, e o padre é o ouvinte.

Temos uma canção mais “southern rock” que é comum nos álbuns do Stapleton, “Tryin’ to Untangle My Mind”, e uma faixa mais roqueirona, “Midnight Train to Memphis”, que impressiona pelo nível de distorção usada. É sem dúvida a faixa mais roqueira da trilogia, com algumas convenções de canções famosas de rock no arranjo e um refrão explosivo.

From a Room: Volume 2 tem exatos 32 minutos assim como a primeira parte tinha e 9 canções também. Isso diz muito acerca de como bem pensado foi o projeto. E a parte 2 complementa bem o que ouvimos na 1, mesmo que trazendo a mesma essência do cantor que já conhecemos. A produção mais uma vez acerta em combinar acústico com elétrico, respeitando ideias e convenções de gênero, mas com espaço para deixar as músicas respirarem e serem o principal foco. As melodias são muito boas, marcantes, e as interpretações do vocalista as engrandecem. Os arranjos são precisamente editados para que tudo soe popular, simples, no entanto, como as composições são muito boas, o simples joga a favor. Já dizia o Rick Rubin: se uma canção é boa, ele deve soar boa quando reduzida ao voz e violão. 

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Frazer Harrison

A mixagem do Vance Powell é bem simples, crua e tem um feel analógico bem expressivo. Ele costuma utilizar tanto equipamentos analógicos quanto digitais em seus trabalhos, ficando mais a cargo do artista. O engenheiro conseguiu combinar muito bem violões, baixo e bateria, por exemplo, criando um senso de coesão rítmica em que esses instrumentos parecem andar para frente sempre de mãos dadas. Aliás, o violão é tocado de uma forma bem rítmica aqui, bem mais que o convencional, pelo menos. A mix também explora sensações de solitude, angústia e uma certa rebeldia – ao manipular distorção -, sempre engrandecendo a pouca instrumentação que é usada. Foram gravados violões, guitarras, vozes e bateria, gaita e percussão adicional, mas a densidade é muito pequena, ou seja, temos sempre poucos elementos ao mesmo tempo e tudo é facilmente identificável.

Volume 2 é um álbum sem enrolação, que não tem medo de soar sentimental, emocional, mas também vibrante. A trilogia do cantor está impecável e esse é um fechamento digno dessa primeira fase da sua carreira. Comercialmente, as coisas andam muito bem também – no momento em que escrevo esse texto, Traveller e Volume 1 estão no top 10 das paradas de country americanas -, não é à toa que o músico já foi chamado de “Adele da Country music”, tanto pela capacidade de fatiar sentimentos com canções sublimes e emocionais, quanto pela capacidade de estar sempre bem posicionado no mercado, vendendo horrores. O mais importante é que ambos não estão totalmente entregues às vontades do “deus mercado”.

Se fôssemos hierarquizar, esse álbum estaria apenas um pouco atrás dos primeiros, mas isso está longe de ser um demérito. Mesmo fazendo o simples, Chris, Dave e Vance estão fazendo história com esse country que agrada e nunca cansa. Se estiver à procura de presentes para o natal, pense nesses dois álbuns, não vai se arrepender.  

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