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Diablo Swing Orchestra – Pacifisticuffs (2017

Uma verdadeira big band rock de cabaré infernal

Por Lucas Scaliza

À medida em que amplia os horizontes musicais, o grupo sueco Diablo Swing Orchestra também dilui a veia mais roqueira. Pacifisticuffs, quarto álbum da carreira, é um achado musical, com a banda numa excelente escalada de qualidade desde a estreia. Porém, não soa tão pungente e forte quanto o The Butcher’s Ballroom (2006). Há várias boas músicas no disco novo, mas nada ameaçador como “Balrog Boogie” fora 11 anos atrás. Ainda assim, a dança e a variedade musical seguem firmes e fortes, como “The Age of Vulture Culture” deixa claro logo no início do long play.

A brincadeira era muito clara lá atrás: misturar metal e rock com músicas de cabaré, influências retrôs com canto lírico, riffs de guitarra com uma variante sexy do jazz. E no meio disso tudo, tentar fazer temas sombrios soarem o mais divertido possível. Parece que Pacifisticuffs à medida que mostra a Diablo Swing Orchestra mais consciente do que nunca de sua capacidade musical, perdeu o senso de inconsequência deturpado que era parte do charme anteriormente. Pode ser que a graça da piada tenha se esvaído, ou que a banda tenha já superado essa ideia. Não deixa de ser um sinal de amadurecimento, mas fico pensando também na discografia do The Strokes: o que sobra para a história do rock dessa banda é o que fizeram de mais básico.

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De qualquer forma, Pacifisticuffs precisa ser avaliado não só pelo que deixou de ser, mas pelo que de fato é. E é um álbum com excelentes músicos criando excelentes arranjos e misturando muito bem os riffs de metal com o swing da big band de ragtime (nada melhor do que “Karma Bonfire”), da valsa (“Interruption”), do blues rock (“Climbing The Eyeball”) e até laivos de country (“Knucklehugs”). O senso de ameaça é muito menor, mas em compensação a vontade de dançar e de se divertir é muito maior. Lúcifer deixou o recinto, mas ainda é possível encontrar Asmodeus ali no bar, bebericando uísque e marcando o compasso de “Jigsaw Hustle” com a pata.

Enquanto metal, é um disco um pouco excêntrico, sim. Não chega a ser esquizofrênico como o Savage Sinusoid do Igorrr, mas é uma mistura incomum – e que já deu certo, sendo levada a cabo pelos oito músicos pela quarta vez. A DSO usa seus músicos da melhor maneira possível ao longo de todas as faixas. E como há muitos músicos e instrumentos como violino e sopros, temos uma profusão sensacional de arranjos, além de uma variedade enorme de ritmos. Astaroth está no salão e não para de dançar!

Não é o mais roqueiro dos registros do Diablo Swing Orchestra, mas é o mais ricamente adornado por Daniel Håkansson (guitarra e os poucos vocais masculinos e guturais), Pontus Matefors (guitarra, banjo, sintetizador), Anders Johansson (baixo), Johannes Bergion (cello), Martin Isaksson (trompete e piano), Daniel Hedin (trombone), o novo baterista Johan Norbäck e por mais 11 músicos extras em estúdio. Quem também traz vigor para a banda é a competente nova vocalista Kristin Evegård, que domina a arte da interpretação, além de possuir um timbre marcante na voz, seja para que o ouvinte se sinta tanto nos anos 30 (“Ode To The Innocent”) quanto ouvindo algo tão pós-moderno (“Superhero Jagganath”) que exige até um tempo para se acostumar antes de se divertir pra valer.

E apesar de ter começado essa crítica comparando o álbum com o primogênito trabalho da DSO, é preciso dizer que Pacifisticuffs está repleto de bons momentos, fazendo dele o segundo melhor álbum da banda.

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