2018 country Resenhas Rock

The Buzzhounds – Dangerous Ride (2018)

Empolgante, prazeroso e divertido

Por Gabriel Sacramento

E o Southern Rock, como está? Se no anos 90, tivemos o fenômeno Black Crowes, hoje o estilo está sendo representado por diversas bandas interessantes como Roadkill Ghost Choir, Derek Trucks Band, Third Day e aquela que é considerada a melhor do momento, Blackberry Smoke. Ainda que os medalhões antigos não estejam mais na ativa, sempre tem gente para movimentar o estilo e entregar resultados interessantes. Vale destacar também a imperdível intersecção dessa nova fase do Southern Rock com a fase nova do country americano, representada por gente talentosíssima como Chris Stapleton, Sturgill Simpson e Jason Isbell. Volta e meia esses artistas cruzam a linha que separa os dois estilos e criam crossovers memoráveis. Vale a pena ficar de olho.

O The Buzzhounds é um grupo formado por Jeff TheBuzzHound (vocais e guitarras), Jon Affinito (guitarra), Bob Miller (baixo) e Marko Lira (bateria). Eles surgiram fazendo southern rock lá em Chicago e já têm uma certa experiência de palco, pois já tocaram com artistas do naipe de Buddy Guy, Les Paul e Gov’t Mule. Além disso, o grupo – que já tem três discos lançados e esse quarto é o primeiro que chegou à plataformas digitais como o Spotify -, vem sendo comparado com Robert Plant e Kid Rock, por unir um aspecto mais sulista e acústico com a energia do rock’n’roll clássico. O quarto álbum dos caras se chama Dangerous Ride e é uma viagem, não tão perigosa, mas agradabilíssima com guitarras e violões no veículo.

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Faixas como “Dangerous Ride”, “I Quit” e “I’m on Fire” deixam claro o fator diversão e soltura roqueira que eles propõem. É tudo muito gostoso de ouvir, dá ouvinte de sair por aí fazendo air guitar e tudo respeita muito bem a tradição do rock, quando este era bem mais apegado às convenções do blues. O destaque do tracklist é conseguir misturar essas canções com mais testosterona com outras mais leves, como a lindíssima “Say a Prayer” – que já desponta como a primeira grande faixa do ano feita para partir corações em pedacinhos – e “Cinderella Needs New Shoes”. Tanto com o rock mais cafajeste, quanto com as faixas mais quadradas e fofas – que dizem não aos clichês de baladas country -, eles se saem muito bem. Para fechar, temos mais um acerto da masterização em termos de tracklist, que é “Endless”, uma faixa contemplativa, com um certo quê sombrio que sela o álbum com maestria. As faixas são confessionais e reflexivas, e toda a veia sulista do álbum – inclusive o sotaque do vocalista Jeff – deixa claro que essas canções serviriam bem como trilha de algum filme dos irmãos Coen.

A produção do álbum foca bastante nas boas melodias e nas composições em si, deixando todo o resto bastante sensível a isso. A instrumentação não é tão destacável, temos bons momentos como as guitarras pulsantes em “Save My Soul”, mas no geral, é bem contida. As execuções são até interessantes, mas ainda poderiam ter sido melhores em alguns momentos, com mais urgência e agressividade. A mixagem também tem alguns problemas com relação à definição dos instrumentos em momentos mais densos e falha em criar um pouco mais de energia. Esses fatores teriam sido arrebatadores devido à qualidade do material escrito. Também não temos um trabalho muito bom no tocante aos timbres, que são tão característicos para esse tipo de som, seja para fazer o ouvinte transcender barreiras temporais ou por uma mera questão de identidade e estética sonora. Essa é a questão de Dangerous Ride: a produção se preocupa pouco em engrandecer o material bruto e deixa as músicas falarem por si só.

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A outra questão acerca desse álbum é que isso funciona perfeitamente. Nenhuma faixa soa deslocada e todas tocam o ouvinte de alguma forma. Ao fim, o resultado é divertido, empolgante, facilmente memorável e prazeroso. O álbum consegue te chamar para sair e te fazer ter um good time, como dizem os americanos. Mesmo com todos os defeitos técnicos, o álbum ainda soa muito bom se comparado com outros de southern rock com toques de rock clássico, sem soar nem próximo do que seria considerado genérico, muito por causa da ousadia dos rumos tomados pelas composições e da intimidade estabelecida por letras que não escondem o fator humano. Essa é a magia acerca da boa música: ela não está restrita aos grandes artistas, reconhecidos como talentosos por todo mundo ou que dispõem de quantidades massivas de dinheiro. Às vezes, ela é produzida por artistas independentes, pequenos, pouco conhecidos, mas que se dedicam ao que fazem com tudo o que têm e tiram talento de onde não tem, até. E existe uma balança perfeitamente justa na música: quanto mais entrega você põe, mais entrega você sente do outro lado.

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