2017 Indie Resenhas Rock

Vaya Futuro – Tips Para Ir de Viaje (2017)

Quinteto mexicano faz disco mais ambicioso e bonito, viajante e sentimental

Por Lucas Scaliza

O Vaya Futuro é uma dessas bandas que a gente só pode dizer que faz rock. Cabe tanta coisa dentro do som deles, são tantas influências, que os discos desses mexicanos originários de Tijuana nunca são exatamente coesos, preferindo caminhos sinuosos, indo do pop rock ao indie rock, à balada atmosférica e passando pelo experimental, pelo noiser e pelo dream pop. A escolha por um misto de sabores ao invés de um paladar só lembra bandas como a belga dEUS e a americana The Greenhornes. Portanto, é natural que cada ouvinte se identifique com uma porção diferente do que o grupo produz.

Vaya_Futuro_por_Carlos_Juica

Tips Para Ir de Viaje, sucessor do ótimo Perro Verde y Triste (2015), deixa claro que o Vaya Futuro, como banda, sabe muito bem qual é o seu lugar no rock e na cena mexicana: são alternativos. O negócio é não complicar as músicas com compassos excêntricos ou harmonias elaboradíssimas, mas se preocupam muito em como cada instrumento vai soar. Afinal, se os estilos dentro do rock vão variando de faixa para faixa, a produção consegue com maestria mais uma vez fazê-los parecer uma banda de garagem e espacial ao mesmo tempo. Há certa secura na produção que dá ao Vaya Futuro uma cara de lo-fi, mas a ambientação rica a joga para outro espectro. O disco foi gravado em Austin, no Texas, e masterizado no famoso Abbey Road, em Londres.

Contudo, mesmo sabendo que são alternativos e fazendo músicas como a dramática e fúnebre “Las Muertas”, a barulhenta “Mr. Mapooch” e as flaminglipsianas “Cuando Su Eco Se Apague” e “Canción de Lado C”, fazem músicas que são destinadas ao público mais geral, como a comercial “Sueco en África”, a balada “Despacio” e a ótima “Tips Para Ir de Viaje”, que sintetiza de forma única o lado mais doce e sentimental da banda com seu rock mais acessível. Não dá para esquecer também os elementos viajantes que a banda emprega neste terceiro disco. Seja um vocal fantasmagórico em segundo plano (“Autostop e Tlaxcala”) e ruído de sinal (“Abismo”) ou a paisagem onírica criada pelo teclado na linda “+&+”. O compasso 6/4 de “6 AM” também embala o ouvinte em oito minutos de algo que lembra bastante o Radiohead de OK Computer. E o rock pode realmente ser pesado com cargas extras de fuzz em “Sol en La Frente”.

Luis Aguillar, cantor e guitarrista do grupo, tem uma voz doce e emocional que cai muito bem às letras melancólicas e ao perfil mais psicodélico do grupo, mas que também acaba dando um quê mais acessível às faixas mesmo nas partes mais esquisitas.

Tips Para Ir a Viaje mantém o quinteto mexicano guiando com personalidade e inspiração, aproveitando-se muito bem das possibilidades que o estúdio em Austin lhes proporcionou (vários instrumentos diferentes à disposição, enriquecendo arranjos e timbres) e a presença do coprodutor e engenheiro de som Justin Douglas que não arredondou as arestas do grupo. Pelo contrário, este terceiro disco é ainda mais ambicioso (e bonito) que os anteriores.

Um álbum que, caso tivesse sido resenhado a tempo, teria grandes chances de entrar em nossa lista de Melhores Álbuns de 2017.

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