louder harder faster

Warrant – Louder Harder Faster (2017)

Festança rock’n’roll oitentista, divertida e irreverente

Por Gabriel Sacramento

Ouvindo este disco pode não parecer, mas o Warrant não é uma banda nova. O grupo nasceu na cena do glam rock de Los Angeles dos anos 80, onde surgiram grupos megafamosos como o Poison, Motley Crue e o Guns N’ Roses. Mas depois de tantos anos de atividade, a banda soa totalmente rejuvenescida, cheia de fôlego e energia roqueira de uma forma impressionante. Se comparada com bandas novas que gostam de resgatar essa vibe anos 80 como Danko Jones e Airboune, o Warrant não soa muito diferente, pois não dá sinais de rugas e nem de fraqueza no esqueleto.

Mas são mais de 30 anos de carreira e ao mesmo tempo em que soa como uma banda nova, soa também como um grupo maduro que sabe bem o que faz e como chegar precisamente ao resultado desejado. A direção é bem definida e o objetivo alcançado com louvor. Foi assim com o ótimo Rockaholic (2011) – primeiro álbum com os vocais de Robert Mason, que fez um bom trabalho como vocalista do Lynch Mob – e está sendo com Louder Harder Faster, novo trabalho do quinteto de LA.

warrant_2017

O disco possui a identidade do glam dos Estados Unidos oitentista. Riffs pesados, vocais agressivos, baladas que surgem para aliviar o tracklist. Em LHD, temos ainda mais músicas mais orientadas aos vocais do que às guitarras, com grandes melodias e ganchos que ficarão na sua cabeça por muito tempo. “Devil Dancer” chama a atenção pelo seu riff principal e sua cadência, mas o principal é o refrão, bem marcante. “New Rebellion” é o tipo de faixa que resgata o hard rock oitentista, mas também traz um quê do heavy metal que bandas como o Accept têm feito atualmente. “Only Broken Heart” é marcada por uma guitarra melódica no início e melodias vocais proeminentes no desenrolar da faixa. É bem estruturada, bem dividida e o refrão ganha ênfase. “U in My Life” cumpre a função da balada obrigatória com violão. A banda consegue manter o equilíbrio e não cai no excesso de açúcar que às vezes acomete este tipo de composição.

LHD foi produzido pelo ex-DIO Jeff Pilson, que soube bem explorar as facetas mais interessantes e obter um resultado consistente. Dá ênfase maior aos vocais, deixando muitas vezes as guitarras em segundo plano, sendo difícil acreditar que realmente existam duas guitarras em vários momentos. O timbre das distorções, mais polido e abafado, também é um pouco diferente do usado em Rockaholic. Joey Allen e Erik Turner estão bem entrosados e ambos trabalham juntos para que as guitarras soem coesas e harmonizadas. Já Jerry Dixon se destaca no baixo, colocando boas notas no meio da porradaria e chefiando bem a cozinha. O vocalista Robert Mason se destaca também, cantando mais melodias e gritando nos momentos certos, acrescentando o que as faixas precisam.

Além de soar jovens e experientes ao mesmo tempo, o Warrant consegue manter a empolgação do ouvinte todo o tempo. A banda nos convida para a festa de celebração dos anos 80, da irreverência, diversão e rock’n’roll e não nos deixa na mão em nenhum momento. LHD são 42 minutos de pura adrenalina e disposição e até os momentos de alívio são usados estrategicamente para dinamizar e ganhar nossa atenção para o que vem a seguir. Mesmo nos levando a uma Los Angeles perigosa de 30 anos atrás, o quinteto não soa totalmente datado, pois há um frescor de novidade, algo do século XXI enrustido no som. Som esse que inclusive pode sair de LA e visitar outras quebradas, sem problemas.

Prepare-se para ouvir um som pesado do bom, puro e feito com honestidade por caras que conhecem bem e dominam essa linguagem musical. Prepare-se também para se perder cantando os refrões e as melodias. Arraste os móveis da sala e balance ao som mais alto, mais pesado e mais rápido rock’n’roll do Warrant.