steven wilson

Escuta Essa 34 – O Ativismo de Roger Waters é Sincero, Afinal?

No podcast 34 do Escuta Essa Review vamos debater Is This The Life We Really Want?, primeiro disco de rock de Roger Waters (do Pink Floyd) em 25 anos. Mas a conversa acabou enveredando para o ativismo do músico, suas pretensões globais e o quanto tudo isso é sincero.

Destacamos o novo disco Cosmos da banda psicodélica brasileira My Magical Glowing Lens e fizemos um blocão para comentar e avaliar os novos singles de Foo Fighters, Arcade Fire, Lorde, Steven Wilson, Liam Gallagher e The War On Drugs. Coloque seus fones e divirta-se!

Faça download do episódio neste link!

00’00”: Abertura
03’00”: Indicações
08’45”: Roger Waters – Is This The Life We Really Want?
56’51”: My Magical Glowing Lens – Cosmos
1h11’07”: Liam Gallagher
1h17’44”: Foo Fighters

1h25’50”: Lorde
1h28’43”: The War On Drugs
1h31’34”: Steven Wilson
1h37’32”: Arcade Fire

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Escuta Essa 30 – Guardiões da Galáxia: A Incrível Mixtape é Incrível Mesmo!

A segunda aventura dos Guardiões da Galáxia é ainda melhor que a primeira, e isso inclui as músicas na Incrível Mixtape de Peter Quill. Neste episódio discutimos o papel da ótima trilha sonora e coletamos surpreendentes easter eggs que ressaltam a importância da música no filme.

Resenhamos ainda os novos álbuns da banda de stoner metal Mothership, o pop cheio de fusões do Elastic Bond e o novo e complicado disco da canadense Feist. E escolhemos três bandas nacionais independentes (Ozu e Blues Drive Monster, de São Paulo, e Mezatrio, de Manaus) que nos mandaram material para analisar no programa. Coloque os fones e divirta-se!

Download do episódio neste link!

00’00”: Abertura
03’28”: Guardiões da Galáxia Vol. 2 – a trilha sonora
58’14”: Mothership – High Strangeness
1h08′: Elastic Bond – Honey Bun
1h18′: Feist – Pleasure
1h27′: Ozu / Mezatrio / Blues Drive Monster
1h42′: Steven Wilson

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Blackfield – Blackfield V (2017)

A volta da parceria entre Aviv Geffen e Steven Wilson rende um dos melhores álbuns da dupla

Por Lucas Scaliza

V dá continuidade à sonoridade e à história do Blackfield exatamente do ponto em que IV terminou. A diferença é que desta vez Steven Wilson realmente participou do processo de composição e gravação do álbum, como a cara-metade inglesa do projeto ao lado do israelense Aviv Geffen que praticamente tocou a banda sozinho com o álbum anterior.

É fácil perceber desde a trinca de abertura do álbum – a instrumental “A Drop In The Ocean”, a moderna “Family Man” e a emocionante “How Was Your Ride?” – que a volta de Steven Wilson não condicionou o Blackfield a voltar ao estilo anterior do grupo, tão amado pelos fãs, nos dois primeiros álbuns. Pelo contrário: Wilson parece contribuir ainda mais para consolidar a nova direção sonora que Geffen iniciou em IV.

blackfield_2017

A produção é bastante contemporânea e não tenta voltar aos anos 70 e 80 como tantos banda e artistas têm feito atualmente. Os teclados (divididos por Eran Mitelman, SW e AG) e orquestrações (gravadas pela London Session Orchestra) continuam sendo tão importantes quanto as guitarras encorpadas e a bateria pungente (Tomer Z). A dupla, muito ciente do papel que desempenha tanto para o inglês quanto para o israelense, também mantém suas músicas dentro do rock/pop acessível, com canções relativamente curtas, mas sempre pendendo para o lado da melancolia. E apesar dos acordes simples que dão forma e fluência às 13 faixas, os arranjos são bem planejados. Nada de excentricidades no Blackfield, mas bom gosto é um imperativo do começo ao fim do novo álbum.

Como sempre, SW e AG dividem os vocais, mas caso você esteja chegando agora ao Blackfield, pode ser que nem repare na diferença das vozes, já que ambos usam alturas e regiões vocais muito parecidas. Mas o disco deixa que ambos tenham faixas específicas para se destacarem. Geffen brilha ao cantar “Sorrys”, uma balada levada pelo dedilhado do violão. Wilson surpreende em “October”, interpretando um pop de piano e orquestração com belas mudanças harmônicas que não lembra nada que ele já tenha feito anteriormente em alguma de suas bandas, mas nos lembra que SW é um fã de parte da produção do ABBA. “We’ll Never Be Apart”, com Geffen nos vocais, é uma das mais contagiantes, enquanto “From 43 to 48”, com Wilson no comando do microfone, é uma das mais lindas canções que o Blackfield já fez.

O rock de “Lately” é a única faixa realmente animada do álbum e sentimos toda a pegada da banda Blackfield, com direito a acordes com distorção e baixo martelando nos ouvidos. “The Jackal” também tem a pegada orgânica e roqueira, mas espertamente encaixou alguns interlúdios entre um verso e outro que traz a faixa para o universo tristonho da banda. Já “Life Is An Ocean” vai ganhando corpo e se aproveitando dos sons produzidos em estúdio para emular o poder das ondas no mar, já que o tema de todas as canções é o oceano e como ele se conecta às histórias contadas ao longo do álbum. “Lonely Soul” nos leva para o final da década de 1990 e anos 2000, quando vozes sampleadas eram uma tendência. “Undercover Heart” é outra faixa que mostra a mão da dupla para um pop de respeito, com versos sóbrios e refrão supermelódico.

Para caber na agenda de SW e AG, V foi gravado ao longo de um ano e meio em sete estúdios diferentes (três em Tel-Aviv e quatro na Inglaterra) tendo a produção de Alan Parsons (músico e produtor que já trabalhou com SW em The Raven That Refused To Sing [2013]) nas faixas “Family Man”, “How Was Your Ride?” e “Sorrys”, que se tornaram os singles do álbum.

Blackfield V não tem a mesma vibe ou o mesmo frescor que I e II, mas trata-se de uma colaboração real entre os dois músicos fundadores do projeto que mostra evolução na produção e nas habilidades composicionais. Ao mesmo tempo em que fazem pop/rock que pretende ser radiofônico – o que nem sempre conseguem –, acabam se arriscando com experiências musicais diferentes que acabam caindo muito bem ao disco. Por isso, V pode ser colocado ao lado dos dois primeiros discos do Blackfield como um ótimo álbum cheio de canções que valem a pena e, de longe, o mais ciente do poder das melodias.

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The Mute Gods – Do Nothing Till You Hear From Me (2016)

O pop elegante e a criatividade do progressivo

Por Lucas Scaliza

O primeiro disco do The Winery Dogs mostrou como o lado rock’n’roll de cada um dos músicos envolvidos (um power trio que reunia Richie Kotzen na guitarra e nos vocais, Mike Portnoy na bateria e Billy Sheehan no baixo, todos veteraníssimos) poderia criar ótimas canções que eram tão técnicas quanto melódicas e acessíveis. E preencheram o disco de viradas progressivas e solos virtuosos. O The Mute Gods tem uma proposta parecida: fazer pop/rock de qualidade e elegante, com boas letras, e várias intervenções progressivas que atestam que a qualidade instrumental é tão importante quanto tornar cada faixa digerível, mas não banal. E o The Mute Gods acerta em cheio em Do Nothing Till You Hear From Me, conseguindo inclusive um equilíbrio maior do que o The Winery Dogs.

A formação também é espetacular, embora não cause tanto hype quanto dos Dogs. No vocal, no baixo e no Chapman stick temos o excelente músico inglês Nick Beggs, atual baixista da banda de estúdio e ao vivo de Steven Wilson e do grupo pop Kajagoogoo. Beggs é o letrista e principal compositor do The Mute Gods, fazendo da banda quase que um novo projeto solo do músico inglês. Vale lembrar que Beggs tocou com muita gente boa e diferente, como Steve Hackett, Steve Howe, Tina Turner, Seal e uma penca de outros nomes. Na bateria está o alemão competente e gente boa Marco Minnemann, que também grava com Steven Wilson e é parte do trio instrumental The Aristocrats. Por fim, fazendo os teclados, pianos e a produção da banda está Roger King (que já se destacou trabalhando com Hackett também). Um curto perfil de cada membro já indica que estamos diante de uma banda experiente, cheia de ideias e boas referências. É por isso que Do Nothing Till You Hear From Me é uma estreia com jeitão maduro.

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Nada soa deslocado, seja na estrutura de cada canção ou na mixagem cristalina que faz todos os instrumentos terem a mesma definição. É tão redondinho que até sentimos falta de alguma crueza mais visceral. “Do Nothing Till Your Hear From Me” é uma introdução perfeita ao trabalho, mostrando boas levadas de rock e um senso de melodia bastante amplo. Não mostra as garras, mas não deixa de evidenciar a qualidade dos músicos. É acessível, mas não comercial. Já “Feed The Troll” e “Your Dark Ideas” representam o lado mais sombrio e ainda assim instigante do grupo, com temas melódicos que grudam na memória. “Swimming Horses” é um deleite de mixagem para os ouvidos. Várias nuances em uma única faixa, incluindo as habilidades de Beggs no baixo e sua voz suave e interjeições progressivas bem características.

“Last Man On Earth” é uma balada pop com arranjos de qualidade, como Steven Wilson fez com “Hand. Cannot. Erase.” e “A Perfect Life” em seu último disco. A doce e excelente “Nightschool For Idiots” revela as inspirações oitentistas da banda, enquanto “In The Crosshairs” tem jeitão de composição do Steve Hackett, equilibrando-se muito bem no rock progressivo que dá uma baita ênfase ao instrumental. Já “Father Daughter” destoa um pouco do clima geral do disco. Tem aquela pegada etérea dos anos 80 que o Silva gosta de usar. Lula Beggs, filha de Nick, canta nesta faixa, fazendo um bom dueto entre pai e filha.

O som grave que parece um baixo sintetizado que ouvimos em diversas faixas (como “In The Crosshairs”, “Mavro Capelo”, “Your Dark Ideas” e outras) não é uma programação eletrônica, e sim um Chapman stick, um versátil instrumento em que Beggs é versado, fazendo um excelente uso dele no The Mute Gods e também nos discos de Steven Wilson. “Praying To a Mute God”, uma das melhores faixas, poderia muito bem tocar nas rádios. Um daqueles exemplos de música que desce fácil que as bandas progressivas às vezes fazem para provar que pop não precisa ser babaca, pode ter letra crítica, pode ter arranjos ricos e melodia cativante.

Nenhum guitarrista foi contratado para o grupo, nem como músico convidado ou de sessão. Beggs e Minnemann dividiram os afazeres nas seis cordas e, para músicos que não conhecíamos com esse instrumento, se dão muito bem, seja fazendo bases ou solos e acompanhamentos melódicos. Mas isso explica também porque o baixo, o Chapman e o teclado/piano são tão centrais em Do Nothing Till You Hear From Me. São tantas linhas de baixo acima da média que não há como não notar o protagonismo de Beggs na banda. Isso é ótimo, pois aumenta a oferta de composições de baixistas, dando um protagonismo merecido ao instrumento. Em tempo, Beggs dedicou o disco a Chris Squire, baixista fundador do Yes, que faleceu em decorrência de um câncer em junho de 2015.

Embora Marco seja membro oficial do grupo, os bateristas Gary O’Toole e Nick D’Virgilio ajudaram nas gravações de bateria, guitarra e teclado também. Beggs escreveu grande parte das faixas enquanto estava na turnê de The Raven That Refused To Sing (2013) em 2014.

O ouvinte casual pode curtir o som tanto quanto o ouvinte mais técnico, que repara em fraseados, na estrutura das canções e no virtuosismo mais intrincado. Embora tenha dito que não há momentos de crua visceralidade, não quer dizer que o rock feito pelo trio e seus convidados seja capenga. Há muita energia nas faixas e a performance de nenhum deles deixa a desejar. Minnemann, como já era de se esperar, preenche o álbum com ritmos criativos e sabe ser prog mesmo quando a dinâmica não é tão alta (caso de “Strange Relationship”). King cria as atmosferas do disco com muito tato, explorando sonoridades diferentes de teclado, piano e sintetizador ao mesmo tempo em que embala tudo dentro de uma estética bastante coesa. Seja o ouvinte mais desatento ou o mais exigente, Do Nothing Till You Hear From Me agradará principalmente quem tiver ouvidos bastante abertos.

Steven Wilson – 4 ½ EP (2016)

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Muitas jams, improvisos e uma reinterpretação surpreendente

Por Lucas Scaliza

Steven Wilson é um egresso do rock progressivo. Na verdade, começou como uma espécie de rock viajante e psicodélico, que só depois virou progressivo, mas as raízes no estilo estão presentes desde o início de sua carreira. Ao longo do tempo, ele já fez tantos tipos de música que não devemos nos surpreender com seus passos para além do rock. Música ambiente, heavy metal, jazz fusion, música eletrônica e até mesmo pop estão em seu caldeirão de referências e atividade. A boa notícia é que toda essa diversidade musical do compositor inglês está disponível, seja com o nome Steven Wilson ou com codinomes do tipo Porcupine Tree, Bass Communion, No-Man, Blackfield e Storm Corrosion.

O pouco da música que ele produz e que não entra em seus álbuns pode ser encontrado em EPs e versões deluxe que ele libera. 4 ½ é seu novo EP, contendo cinco sobras de estúdio, perpassando desde a época de seu primeiro álbum solo, Insurgentes (2009), até o último LP, o elogiado Hand. Cannot. Erase., que entrou em nossa lista de 20 melhores discos de 2015. Com músicas feitas em momentos e contextos conceituais diferentes, 4 ½ não segue uma estética bem definida, como geralmente ocorre com seus álbuns (SW é, em geral, extremamente minucioso com seus conceitos sonoros), mas apresenta uma musicalidade expandida de seu criador.

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“Happiness III”, por exemplo, é uma faixa que não entrou em HCE (embora exista no papel desde 2003, quando Steven Wilson pensava em fazer o filme Deadwing). É vivaz, simples, um perfeito exemplo de pop rock radiofônico, como “Lazarus”, do Porcupine Tree. É também um exemplo de canção feliz, o que não deixa de ser interessante, já que SW é conhecido pela piada de que “música triste o deixa feliz, e música feliz o deixa triste”. “My Book Of Regrets” é outra que não coube no último disco. A faixa tem mais de nove minutos e possui longas passagens de improvisos e jams, dando espaço para que teclado, guitarra e baixo tenham seus momentos de solo. No entanto, com exceção do miolo instrumental (parte em que identificamos sem esforço o jeitão da música do SW em carreira solo), “My Book Of Regrets” é um típico rock alternativo. A batida em ¾ na guitarra com distorção seca é a mesma do violão na excelente “Time Flies”, do Porcupine Tree. É também uma típica música longa do cantor que, assim como “Luminol”, “Remainder The Black Dog” e “3 Years Older”, é composta de várias partes diferentes que mudam a dinâmica e o feeling da composição.

É evidente porquê ambas não entraram em Hand. Cannot. Erase.: “Happiness III” não tem o mesmo clima do álbum e “My Book of Regrets” , além de muito longa em um disco com várias outras faixas longas, também soaria muito masturbatória. Mas se lá não tinham espaço, em 4 ½ ganham vida. A primeira como a música mais acessível do EP (e quem sabe da carreira de SW) e a segunda é a música ambiciosa e de destaque técnico do lançamento. Além das jams sessions, “My Book…” é resultado da união de uma pré-gravação da faixa em estúdio e várias partes coletadas ao vivo, durante os shows da banda que executaram a música.

A delicada instrumental “Year Of The Plague” foi escrita para The Raven That Refused To Sing (And Other Stories) (2013) e guarda uma melodia de violino muito bonita e melancólica. SW diz que adora a faixa e que gostaria de guardá-la para uma trilha sonora, o que é compreensível. Dentro de The Raven ela seria como “Transience” para HCE e “Belle De Jour” em Grace For Drowning (2011), mas não adicionaria mais brilho ao trabalho. As orquestrações, inclusive o violino, é um sample. Já o piano/teclado é de Adam Holzman e os dedilhados são de SW mesmo. “Sunday Rain Sets In” é outra instrumental que deveria entrar no HCE e conta com a bateria de Chad Wackerman, que excursionou com SW no final da turnê de The Raven…. Com clima noir e com as inegáveis mãos de Holzman no piano e guitarras que tocam notas muito bem escolhidas, soa mais SW do que “Year Of The Plague”.

“Vermillioncore” começou a ser escrita no fim de 2013 e só terminou de ser gravada em junho do ano passado, no meio da turnê de HCE. A faixa é uma mostra do lado roqueiro mais moderno de Steven Wilson. Nick Beggs traz muito groove para a base da faixa e Craig Blundell faz aquele tipo de bateria que parece direta, mas vai encaixando viradas e batidas quebradas para brincar com a dinâmica. Quando Holzman sola e Beggs pega em seu stick, a faixa passa de um quase heavy metal para um quase rock eletrônico.

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Essas cinco faixas são as sobras e a produção excedente de um compositor que não para de abastecer os fãs de material novo e diversificado. Apesar de ótimos momentos, essas faixas não chegam a surpreender. Afinal, quem acompanha SW há algum tempo já sabe do que ele é capaz. Além disso, essas faixas em conjunto não conseguem soar tão bem como seus álbuns, planejados para funcionar como uma história do começo ao fim. Mas é um EP planejado para ser fluido, não uma colcha de retalhos.

Sendo assim, tinha baixas expectativas para “Don’t Hate Me”, que fecha 4 1/2. A canção é uma velha conhecida dos fãs de Porcupine Tree, gravada para o disco Stupid Dream (1999) e talvez só ganhasse uma roupagem mais contemporânea, como “Lazarus”. Bem, eu me enganei. Fui surpreendido por talvez a melhor faixa do EP. Com quase 10 minutos de duração (a original tem oito minutos), “Don’t Hate Me” mantém a mesma pegada de 17 anos atrás e ainda ganha contornos mais sofisticados, principalmente com o solo de Holzman e com a excelente parte de Theo Travis, que retorna para refazer um solo de saxofone memorável. O baixo, que já era ótimo na versão original, continua criativo e fazendo uma base consistente e nada óbvia. Mas a música realmente cativa com a participação da israelense Ninet Tayeb (que canta em “Routine”), substituindo os refrãos de SW.

4 ½ também está muito presente na segunda parte da turnê de Hand. Cannot. Erase. que já começou, indicando que as músicas do EP não são descartáveis ou simplesmente material bônus para aficionados. Na visão de Steven Wilson, “My Book Of Regrets”, “Vermillioncore” e “Happiness” são músicas valiosas que só não entraram nos discos por pouco. Na minha visão, elas devem ficar ainda melhores ao vivo, como partes de um todo maior.

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Os 20 Melhores Discos de 2015

Escuta Essa Melhores Discos de 2015

2015 está acabando e é hora de revelarmos quais foram os álbuns que mais chamaram a atenção da equipe do Escuta Essa! Tentamos selecionar 20 discos, como fizemos em 2014, mas o ano foi tão bom para a música que resolvemos eleger 22 álbuns, deixando três empatados em primeiro lugar. Se o Governo Federal tem a pedalada fiscal, fizemos nossa “pedalada musical”.

A lista você confere no vídeo aí em cima. O Lucas Scaliza e o Bruno Chair, editores do Escuta Essa, se reuniram no dia 19 de dezembro para definir as escolhas, transformando o encontro em um videocast. É uma forma mais interativa de explicar também o porquê cada álbum merece estar entre os melhores do ano. Lembramos que 2015 foi um ano incrível para a música e que muitos discos excelentes ficaram de fora. Muitos dos trabalhos que agradaram ao blog – e com certeza agradaram você também! – ficaram de fora dos 20 (ou 22) vagas da lista, mas com certeza entrariam caso a eleição do Escuta Essa tivesse 30 ou 50 lugares, como muitos outros sites e revistas fazem. Por isso, se o seu disco preferido não estiver no vídeo, fique tranquilo. Talvez ele não tenha entrado por detalhe.

Importante ressaltar que escolhemos apenas três discos como Melhores do Ano, ocupando empatados a primeira colocação, deixando os outros 19 espalhados pela lista sem uma hierarquia rígida. Por isso, o álbum que aparece na 20ª posição não é menos ótimo que o 19º, o que figura em 8º lugar não é menos excelente que o da 7ª posição, e assim sucessivamente. Todos valem a pena, principalmente se você tem ouvidos e a mente bastante aberta. Também tentamos abarcar um grande número de estilos musicais, indo do dream pop ao black metal, do folk ao soul, do hip hop ao jazz, do rock psicodélico à MPB. Ou seja, tem música boa para todos os estilos. Também não separamos a lista entre nacionais e internacionais. Acreditamos que existem trabalhos de artistas e bandas brasileiras tão relevantes e bem feitos quanto de artistas e bandas de quaisquer outros lugares do mundo. Por isso essa lista coloca todo mundo em pé de igualdade.

Assista ao vídeo, compartilhe e diga o que achou de nossas escolhas e quais são os SEUS álbuns preferidos de 2015. Abaixo você confere a lista de álbuns escolhidos e o link para as resenhas no blog.

Intro: 00’00”
Ava Rocha – “Ava Patrya Yandia Yracema“: 02’24”
Titus Andronicus – “The Most Lamentable Tragedy“: 04’38”
Leon Bridges – “Coming Home“: 06’41”
Jair Naves – “Trovões A Me Atingir“: 08’46”
Deafheaven – “New Bermuda“: 11’16”
Halsey – “Badlands“: 13’22”
Roberta Sá – “Delírio“: 15’19”
Sufjan Stevens – “Carrie & Lowell“: 17’54”
Ian Ramil – “Derivacivilização“: 21’06”
Hiatus Kaiyote – “Choose Your Weapon“: 22’36”
Steve Hackett – “Wolflight“: 24’27”
Steven Wilson – “Hand. Cannot. Erase.“: 26’48”
Barock Project – “Skyline“: 29’59”
Fito Paez & Paulinho Moska – “Locura Total“: 33’15”
Lenine – “Carbono“: 36’44”
Alafia – “Corpura“: 40’26”
Björk – “Vulnicura“: 43’07”
Tame Impala – “Currents“: 45’31”
Kendrick Lamar – “To Pimp A Butterfly“: 50’00”
1. Father John Misty – “I Love You Honeybear“: 56’04”
1. Elza Soares – “A Mulher do Fim do Mundo“: 1h01’10”
1. Kamasi Washington – “The Epic“: 1h05’05”

Playlist Escuta Essa com as melhores músicas do ano!

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Veja a lista de 20 melhores discos de 2014

 

15 Melhores Álbuns do 1º Semestre de 2015

15 escolhas entre folk, metal, jazz e pop/rock

Por brunochair e Lucas Scaliza

Tivemos tantos bons lançamentos nos primeiros seis meses do ano que foi difícil escolher apenas 10 destaques. Então, deixamos nossas regras mais flexíveis e aumentamos para 15 o número de álbuns que recomendamos e acreditamos estar entre o que de melhor foi lançado na música brasileira e internacional até agora. Contudo, concordamos em deixar alguns álbuns sensacionais já lançados de fora desta lista apenas para a lista de Melhores do Ano de 2015, que devemos publicar em dezembro. Procuramos ser abrangentes nas escolhas e estilos musicais: rock, eletrônica, jazz, indie, heavy metal, música de bandas muito conhecidas, discos de artistas que você precisa fuçar para descobrir, bandas nacionais, dos Estados Unidos, Inglaterra, Austrália, Itália…

(porque as boas obras estão por toda a parte, nem só no underground e nem apenas no mainstream).

É claro que essa lista com quinze nomes não agradará a todos. Mas, não tenham dúvida de que cada uma dessas obras possui méritos e características únicas que foram levadas em consideração para estarem elencadas. Algumas destas poderão, quem sabe, aparecer na lista de Melhores de 2015, outros talvez não se mantenham até lá. De qualquer forma, o importante é ouvirmos mais música e ampliarmos nosso horizonte de fruição estética. Se discordar de nosso julgamento ou se quiser indicar algum disco, os comentários estão abertos.

Sempre lemos tudo!

obs: Antes de começar, veja a lista que preparamos dos 10 Melhores Álbuns do 1º Semestre de 2014. E aqui, você encontra a lista dos 20 Melhores Álbuns de 2014 em vídeo.

Preparados?

Então, segue a lista!

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1. Sufjan StevensCarrie & Lowell

Poesia e música. Muito menos afetada e muito mais pé no chão do que nas experiências do álbum anterior, Sufjan Stevens nos entregou um dos melhores – se não o melhor – disco de sua carreira até agora. Sensível, bem construído, econômico e com um tema e tanto: sua mãe, Carrie, e tudo o que se passou com ela: os momentos especiais no Oregon, a distância entre eles, seus problemas com drogas e sua condição mental. Belas composições que revelam delicadamente o fantasma de Carrie, uma situação sem volta. Mas Sufjan mostra que não está em busca de solução alguma. É apenas luto, da forma mais bonita que você vai ouvir em 2015.

epic

2. Kamasi Washington – The Epic

Neste primeiro semestre, já contamos com excelentes discos instrumentais, como o de Marcus Miller (Afrodeezia), Bixiga 70 (Bixiga 70 III), Al Di Meola (Elysium) e Scott Henderson (Vibe Station), mas o grande disco (grande, mesmo) instrumental deste semestre foi o do californiano Kamasi Washington. É o primeiro álbum da carreira deste saxofonista americano, que já participou das bandas do Snopp Dogg, Stanley Clarke e gravou para Kendrick Lamar e Flying Lotus. The Epic é épico por vários motivos: sua duração (178 minutos); a forma como desliza pelo jazz contemporâneo; a habilidade para dialogar com outros estilos musicais; como ser rebuscado, virtuoso e ser ao mesmo tempo easy listening. Kamasi Washington entregou-nos um excelente trabalho artístico.

Cover

3. Steven WilsonHand. Cannot. Erase.

Steven Wilson cumpre o que promete: fez novamente um disco excepcional e que empurra o rock progressivo para novos horizontes, incorporando com muito bom gosto a música eletrônica e até mesmo o pop (mesmo que seja um pop no estranho compasso 9/4). Retirou os elementos de jazz da banda dessa vez, mas continuou mantendo o som com a mesma sofisticação que já era esperada dele. Um disco de faixas e atmosferas diversas, mas conceitual e que esteticamente está muito bem organizado. Com uma banda excelente ao seu redor, Steven Wilson faz questão de deixa-los brilhar também. Um nome obrigatório para todos que acompanham a retomada da música progressiva.

Mew cover

4. Mew+-

Seis anos após o último álbum, No More Stories (2009), os dinamarqueses do Mew reaparecem com +-, um disco superelaborado e cheio de camadas. Uma banda que sempre foi boa e legal no indie, dessa vez surpreendeu. Faixas muito bonitas e cheias de bom gosto, com produção e vocal que lembra o do Yes em diversos momentos. Disco colorido, animado, sentimental e com uma boa camada de verniz sonoro que ajuda o Mew soar ainda melhor.

susanne sundfor cover

5. Susanne Sundfor – Ten Love Songs

A cantora norueguesa de 29 anos lançou o sexto álbum em fevereiro de 2015. Ten Love Songs flerta com a pop music, sim. Mas, não trata-se daquele pop banal, produto da cultura de massa. Ela reelabora a pop music com intenções artísticas, e consegue juntar a ele referências da música eletrônica (synthpop), o new age (lembram da Enya?) e elementos de música clássica. Detalhe é que o álbum tem esse nome porque, quando a cantora começou a escrevê-lo, observou que todos os temas das letras passavam pelo amor. Ah, o amor! E que lindo disco.

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6. Tulipa Ruiz – Dancê

Dancê já era discutido antes mesmo do seu lançamento. “Então, a Tulipa vai entrar numa vibe eletrônica?”. Alguns não gostaram da ideia, outros tantos pagaram pra ver. E o disco foi lançado. E, qual a surpresa? A qualidade. O terceiro disco da Tulipa Ruiz tem elementos eletrônicos acrescidos ao seu repertório, mas a essência não mudou: as letras continuam inventivas, o vocal da Tulipa afinadíssimo como sempre, a experimentação musical está em dia – fruto do excelente trabalho da dupla Tulipa/Gustavo Ruiz, irmão e produtor do disco. Os elementos eletrônicos, no fim das contas, vieram para somar. E o resultado foi um terceiro disco maduro, criativo e afiado. Tulipa Ruiz continua com tudo.

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7. Gal CostaEstratosférica

Gal Costa, 50 anos de carreira e 36 álbuns na prateleira. É muita música, é muito tempo. Sua produção sempre foi vasta e ela sempre pôde contar com diversos compositores de mão cheia (Caetano é o principal deles) para fazer uma música que nunca foi saudosista. Pelo contrário, Gal sempre espelhou o que estava acontecendo de mais atual no Brasil e fora do país. Não é diferente com Estratosférica, em que ela interpreta jovens compositores brasileiros com a mesma liberdade estética de sempre. Mais avançada e menos tradicional que muitos novos nomes da MPB.

skyline

8. Barock Project – Skyline

Da Itália, a grande surpresa de rock progressivo do semestre. A banda italiana Barock Project lançou o seu quarto disco, chamado Skyline. O disco surpreende pela qualidade musical dos seus integrantes, que conseguem oferecer aos ouvintes referências do hard rock, heavy metal, rock progressivo setentista e contemporâneo. Luca Zabbini, tecladista e fundador da banda, emociona e oferece o toque refinado ao conjunto. O disco foi gravado com letras em inglês, e algumas das músicas foram criadas em um período conturbado da região em que os integrantes residem (Emília-Romana) que foi sofreu abalos sísmicos fortes, em 2012. Skyline é emocionante, criativo e surpreendente. Se você gosta do gênero, não deixe de conferir.

muse drones

9. MuseDrones

Drones é uma volta da sonoridade do Muse a um rock’n’roll mais agressivo, como em “Psycho” e na visceral “Reapers”, mas sem perder a qualidade de produção de seus últimos discos. Ainda estão ali os timbres bem calibrados, os ótimos riffs, as baladas, o pop, o eletrônico, as passagens orquestrais e, sobretudo, o apreço pelas teorias da conspiração. Dessa vez a banda conta uma história sobre drones, tanto as máquinas de guerra quanto a transformação da população em espécies de drones, controlados por forças ocultas e poderosos sistemas econômicos e políticos que agem nos bastidores.

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10. Hiatus Kaiyote  Choose Your Weapon

Banda que vem lá de Melbourne, na Austrália. Vem para mostrar ao mundo que o soul nunca morre. E que o bom soul pode modificar-se. E pode (por que não?) ser modificado por australianos. Hiatus Kaiyote tem um nome difícil de escrever, mas uma sonoridade difícil de esquecer. O segundo álbum da banda é a manifestação da música plural, em que diversos estilos conseguem cruzar-se, sem pedir protagonismos ou maior importância. É soul, é future soul, é funk, é música eletrônica, é hip-hop, r&b, jazz. O vocalista Nai Palm é uma figuraça, e tem uma voz lindíssima. Se você curte uma banda sem rótulos, sem moda e com musicalidade jorrando pelos poros, vai gostar de Hiatus Kaiyote. Dê um play, e entenda o porquê de estarem na lista dos melhores do semestre.

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11. Noel Gallagher’s High Flying BirdsChasing Yesterday

Por mais que o primeiro disco solo do ex-Oasis Noel Gallagher fosse bom, era um pop/rock bem básico e sem ambição. Chasing Yesterday devolve ao compositor, cantor e guitarrista o apreço pela criação, algo que há tempos não víamos. E ele faz isso sem abrir mão do pop/rock básico. Tem muita guitarra (“Lock All The Doors”, “The Mexican”), space jazz (“The Right Stuff”), pop (“The Girl With The X-Ray Eyes” e “You Know We Can’t Go Back”) e até flertes com eletrônico (“In The Heat Of The Moment”). E sim, Chasing Yesterday supera o primeiro disco do encrenqueiro irmão Gallagher.

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12. Courtney BarnettSometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit

Essa australiana não é nova na música, mas este é seu primeiro álbum completo lançado sob seu nome. E é roqueiro, é animado, é bonito, é despojado, direto e, sobretudo, divertido. Um pouco do que o Strokes deixou de ser. E a moça tem atitude de sobra. Além de porradas (“Pedestrian at Best” e “Nobody Cares If You Don’t Go To The Party”), ela escolheu a soturna e longa (mais de 6 minutos) “Kim’s Caravan” para ganhar clipe e ser trabalhada para promover o álbum. Não foi falta de opção, pois no álbum existem outras faixas boas para o público geral. Foi marcar território mesmo, indo na contramão das expectativas. Marquem o nome de Courtney Barnett, porque mais coisas boas devem vir com ele no futuro.

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13. ElderLore

De Boston, o trio Elder conseguiu com Lore entregar um trabalho vigoroso, arrastado, pesado, distorcido. Um ótimo exemplo de stoner rock, entre a pegada clássica do estilo e a incursão por uma via quase metaleira. Músicas longas, nenhuma intenção de ser acessível e nem contam com a chance de conseguir espaço no rádio mainstream. O resultado é um disco comprometido com as composições e com a liberdade de criação e de volume do overdrive. Quem não conhece a banda Elder, Lore é uma porta de entrada e tanto. Com certeza uma das melhores surpresas que o rock pesado nos trouxe no semestre.

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14. The CribsFor All My Sisters

Os mesmos três caras tocando juntos e fazendo barulho. Muita guitarra e muita animação, sem perder nunca de vista a melodia (seja da guitarra ou seja a da voz). For All My Sister não tem firulas e mostra que o rock pode ser divertido, bonito e emocionante mesmo sem adição de teclados e orquestrações. É um dos melhores discos do semestre porque não tem nenhuma faixa ruim. Além disso, os ingleses do The Cribs até agora não se desviaram um milímetro da sonoridade original do grupo e continuam sabendo fazer discos inspirados. Há certa beleza na simplicidade e For All My Sisters é a prova disso.

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15. KamelotHaven

Que seja feita justiça: houve muitos bons discos de heavy metal até aqui, como o do Blind Guardian, do Sirenia, do Between The Buried And Me e do Sylvan, mas Haven se destaca pela evolução em composição que a banda de metal melódico Kamelot apresenta no novo trabalho. Pouco exibicionismo, pouca fritação e linhas melódicas marcantes, estruturas musicais um pouco mais ousadas e muita alma em todas as faixas. Conseguem abarcar tudo isso e ainda não abrir mão do peso. Está tudo ali para fãs e novos interessados. Kamelot não é uma banda pretensiosa, mas por enquanto está se refinando a cada trabalho (o novo vocalista tem grande peso nisso) e Haven é um trabalho que preza pelo equilíbrio.

Eis a lista. Gostaram dos nomes? Os comentários estão aí, para serem utilizados! 😉

Um abraço,

brunochair/Lucas Scaliza