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Escuta Essa 31 – Harry Styles é a Melhor Surpresa do Ano?

Harry Styles – fora do One Direction e em carreira solo agora – surpreendeu a todos com seu primeiro álbum e discutimos o que ele faz de bom e discutimos: é cocaína ou não é? Não sabe o que a droga tem a ver com a música dele? Mais um motivo para ouvir este podcast.
Falamos também do novo single da banda Astronauta Marinho (de Fortaleza) e conversamos sobre Crack-Up, novo disco do Fleet Foxes, After Laughter, do Paramore, o super EP Missing Link do Nick Murphy (ex-Chet Faker) e botamos Tiê pra tocar. Coloque os fones e dê o play!

00’00”: Abertura
04’06”: Indicações
08’23”: Harry Styles – “Harry Styles”
48’35”: Astronauta Marinho
59’04”: Fleet Foxes – “Crack-Up”
1h16′: Paramore – “After Laughter”
1h34′: Nick Murphy – “Missing Link” (EP)
1h49′: Tiê

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Confira a playlist What The Funk Is Going On!

Tiê – Esmeraldas (2014)

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“Eleanor Rigby”, Karen O, REM são alguns dos nomes que vem a mente quando se ouve o 3º disco de Tiê. Isso diz algo, não diz?

Por Lucas Scaliza

A cantora Tiê sabe fisgar a audiência. Em menos de um minuto e meio, você sente que está totalmente interessado pela música dela ao ouvir “Gold fish”, música que introduz tão belamente Esmeraldas, seu terceiro álbum. Apesar de curta (pouquinho mais de 3 minutos), “Gold fish” evoca um momento romântico a la Karen O: dedilhado de guitarra e alguns efeitos sonoros bem discretos enquanto um naipe de cordas vai surgindo. Após aquele um minuto e meio, a faixa tem uma guinada e uma banda entra. Um início excelente.

Embora “Par de ases” tenha uma estrutura mais convencional, a forma de tocar é inventiva. Esse é o traço característico mais louvável da chamada nova MPB, representada por Céu, Silva, Marcelo Jeneci, Vanessa Da Mata e Marcelo Camelo entre vários outros, grupo do qual Tiê faz parte e ajuda a expandir os limites do estilo, cada vez mais fundindo a música brasileira ao indie rock e indie pop.

“Máquina de lavar” tem algo de Mallu Magalhães, uma guitarra muito interessante e um potencial radiofônico muito grande. Até o solo parece ser feito por uma espécie de sintetizador (ou pedal de guitarra que soa como um sintetizador). Além da alegria, “Urso” tem vocalizações e coros que ajudam a dar um colorido ainda maior. Já “Mínimo Maravilhoso” fica bem ao estilo do rock tranquilo, direto e não agressivo que Tiê já mostrou fazer bem nos álbuns anteriores, Sweet Jardim (2009) e A Coruja e o Coração (2011).

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Os acordes iniciais do violão de “Esmeraldas” nos remete imediatamente ao REM, banda pai do rock alternativo dos Estados Unidos. Mas a comparação fica restrita aos primeiros segundos. Logo Tiê e sua banda embarcam em um ritmo com percussão bem marcados, clima regionalista e vocalizações que colocam a faixa em sintonia com toda a estética desenvolvida ao longo do disco. Lendo uma entrevista da cantora, fica claro de onde vem o regionalismo da faixa: Esmeraldas é o nome de uma cidade de Minas Gerais onde Tiê recuperou a inspiração para voltar a gravar. E em apenas cinco dias ela conseguiu esboçar todo o trabalho novo, incluindo aí letras e arranjos (feitos em parceria com André Whoong).

Várias pequenas resenhas ou comentários sobre Esmeralda que vi online dizem que o disco recupera uma veia roqueira da cantora. Após ouvir as 11 faixas fica claro que o momento mais roqueiro é “Mínimo maravilhoso”. As demais composições contemplam o rock, mas aqueles elementos do indie rock e não propriamente uma sonoridade marcadamente rock’n’roll. É bom que isso fique claro para que ninguém espere ouvir guitarras com overdrive e, na realidade, encontre mais violinos. Aliás, a presença de violinos e arranjos bem feitos traz a mente diversas vezes a icônica “Eleanor Rigby”, faixa modernoso de Paul McCartney que fez história para os Beatles. Aliás, os arranjos de violino e guitarra são um achado na esperta produção de Adriano Cintra (ex-Cansei de Ser Sexy e agora envolvido em diversos projetos) e Jesse Harris.

“A noite (La notte)” poderá ser a nova música de trabalho de Tiê. A música é boa, mas é a mais convencional e uma das mais doces do disco. Esmeraldas, que é rico em referências e ideias novas, tem diversas apostas mais arrojadas.

“Meia hora”, uma faixa que parece simples se ouvida despreocupadamente, revela nuances bem interessantes se ouvida com cuidado. Tem o solo com violino e uma espécie de banjo, uso de instrumento de sopro, crescendo e melodia de voz com notas altas. “All around you” é cantada em português por Tiê, e em inglês por David Byrne, a voz do Talking Heads. Se bem que é possível ouvir Byrne cantando em português também no final da faixa junto com Tiê.

As letras também continuam evocando algo de particular e Tiê confirma que são todas estrofes baseadas em situações que viveu. Com isso em mente, vale a pena ouvir algumas faixas como “Depois de um dia de sonho”, uma das melhores do álbum, e tentar imaginar o que levou a cantora a fazer versos como: Nunca fugi, nunca escondi os meus desejos por você/ Eu sempre fui o seu brinquedo/ Preciso de muito mais/ Eu vivo e o que há para ser/ De longe será. A música é macia para os ouvidos, mas com versos assim é fácil imaginar uma versão mais soturna.

Fernanda Takai, que também lançou um disco novo este ano, também trouxe participações especiais (como a do padre/escritor/apresentador de TV Fábio de Melo), mas colocou seus esforços sobre versões bonitinhas de canções de outros compositores. Nesse caso, o charme fica por conta da interpretação, não exatamente a criação. O caso de Tiê é diferente: embora as músicas tragam seu vocal doce (e sem exibicionismos, ainda bem!) – o que a aproximaria de Takai – suas composições soam frescas e inventivas. Olhando a discografia, percebemos que Tiê vem numa crescente estilística. Os arranjos estão bem melhor desenvolvidos e seu envolvimento com uma banda completa – algo que provaremos ao vivo – parece muito mais interessante.

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